Amazon encerra suporte a Kindles lançados até 2012; donos correm para salvar bibliotecas e buscam alternativas
A Amazon encerrou o suporte a leitores Kindle lançados em 2012 ou antes. A partir desta quinta-feira (20), esses dispositivos deixam de baixar novos livros e de receber atualizações de software. A empresa seguirá dando suporte aos modelos mais recentes e oferece 20% de desconto na compra de novos aparelhos — que custam entre US$ 110 e US$ 680 —, além de US$ 20 em créditos para e-books.
A decisão afeta usuários que mantêm seus dispositivos há mais de uma década. Claudia Buonocore, 39, da região de Pittsburgh, resiste à ideia de se desfazer do Kindle Touch comprado há 15 anos: "Nunca tive vontade de trocar de dispositivo. Ele faz parte de mim, é um salva-vidas. Eu durmo com ele quase todas as noites".
Alguns consumidores se apressam para garantir o acesso offline ao acervo. Brian Oelberg, 64, de Chicago, disse ter carregado seu Kindle Keyboard, lançado por volta de 2010, com centenas de livros digitais após saber da mudança e planeja desligar o Wi-Fi para evitar atualizações que possam comprometer os arquivos armazenados. Ele testou modelos mais novos em uma loja da Best Buy, mas não se convenceu a trocar. Segundo Oelberg, a ausência de botões físicos para virar páginas prejudica a leitura ao ar livre em dias frios, quando prefere não tirar as luvas. Usuários de modelos antigos também destacam durabilidade e botões físicos como pontos fortes, e afirmam que versões recentes, como o Kindle Paperwhite, consomem mais bateria por conta da tela iluminada.
A substituição gradual de aparelhos antigos é prática comum no setor de tecnologia, que costuma apontar custos e questões de segurança para descontinuar o suporte. Não foi possível determinar quantos dispositivos serão impactados pela mudança. Em nota, a Amazon afirmou que manteve o suporte por 14 anos ou mais a esses modelos e que não poderia fazê-lo indefinidamente. "A tecnologia evoluiu muito nesse período", disse um porta-voz.
Embora não tenha sido a primeira a lançar leitores digitais, a Amazon popularizou o segmento com o primeiro Kindle, em 2007, e hoje detém 72% do mercado de e-readers, segundo a consultoria Business Research Insights.
Nas redes sociais, especialistas e entusiastas compartilham formas de prolongar a vida útil dos aparelhos antigos, como o "jailbreaking" (remoção de restrições do sistema para instalar outros programas) e o "sideload" (transferência de livros do computador para o dispositivo via cabo USB).
A mudança também atinge atividades de nicho. Cathy Ryan, 59, que conserta Kindles antigos para revenda no eBay como hobby, acredita que a decisão vai prejudicar o negócio. Moradora de Vermont, ela possui cinco aparelhos e ainda usa um modelo de segunda geração comprado em 2009. Já Cathy DeMail, 69, de The Villages, vê motivação comercial na medida e corre para carregar o dispositivo com novos livros antes do prazo final: "É uma pena que eu esteja sendo obrigada a fazer isso. Eu odeio isso. O que me incomoda é o princípio da coisa".
Imagens: Amazon Kindle Paperwhite (1ª geração) — Flickr/Creative Commons/Zero2Cool; Kindle — Giphy.
Fonte: G1 Globo
Fonte: G1 Globo