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Ameaça de tarifa dos EUA ao Brasil e impasse com o Irã pressionam o dólar e agitam os mercados

Ameaça de tarifa dos EUA ao Brasil e impasse com o Irã pressionam o dólar e agitam os mercados

O dólar abriu em alta nesta terça-feira (2), enquanto investidores reagem à proposta dos Estados Unidos de aplicar tarifa punitiva de 25% sobre ampla gama de produtos brasileiros e às incertezas nas negociações entre Washington e Teerã. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, inicia as negociações às 10h.

Na véspera, os EUA concluíram uma investigação comercial contra o Brasil e propuseram uma tarifa adicional sobre a maior parte das mercadorias brasileiras, sob a alegação de práticas consideradas irrazoáveis e prejudiciais ao comércio americano. A medida ainda não entrou em vigor e passará por consultas públicas e audiência até julho, quando o governo americano decidirá se aplicará as sanções.

O mercado também acompanha mensagens desencontradas sobre o andamento das conversas entre EUA e Irã. Na segunda-feira, os dois países trocaram ataques, o que representou novo revés para os esforços de cessar-fogo e para uma solução diplomática. As tensões no Oriente Médio aumentaram após o Irã interromper as negociações em meio a novos ataques de Israel no Líbano. No sábado, Israel capturou o histórico castelo de Beaufort, no Líbano, na incursão mais profunda das tropas no país em 26 anos. Segundo a agência iraniana Tasnim, negociadores do Irã condicionaram um acordo com os EUA a um cessar-fogo no Líbano. Diante do impasse, o presidente americano, Donald Trump, disse ter conversado com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e com representantes do Hezbollah. O republicano afirmou que um cessar-fogo está em vigor no Líbano e que Netanyahu concordou em não deslocar tropas em direção a Beirute. Com sinais de arrefecimento das tensões ao longo da tarde, os preços do petróleo recuaram, assim como o dólar.

No Brasil, o mercado financeiro voltou a elevar a previsão para a inflação em 2026. Segundo o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira, a expectativa subiu de 5,04% para 5,09%, marcando a 12ª semana seguida de alta. A principal razão é a recente valorização do petróleo em meio à guerra no Oriente Médio. Como o petróleo influencia o preço dos combustíveis, há risco de alta de gasolina, diesel e outros derivados, pressionando a inflação. Apesar disso, economistas mantiveram a expectativa de queda dos juros nos próximos anos e elevaram levemente a projeção de crescimento da economia em 2026.

Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street operavam em alta, mesmo diante das incertezas sobre as negociações com o Irã. Perto de 15h30, o Dow Jones subia 0,02%, o S&P 500 avançava 0,46% e o Nasdaq ganhava 0,69%. Já as bolsas europeias alcançaram as mínimas em uma semana: o índice pan-europeu STOXX 600 caiu 0,8%, aos 621,24 pontos. Entre os principais índices, o DAX, da Alemanha, recuou 0,40%; o CAC 40, da França, caiu 0,45%; e o Financial Times, do Reino Unido, fechou com perdas de 0,68%.

Na Ásia, os mercados encerraram sem direção única nesta segunda-feira. O índice de Xangai recuou 0,27%, para 4.057 pontos, e o CSI 300 caiu 0,98%, para 4.844 pontos. Em alta, o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 0,86%, para 25.398 pontos; o Nikkei, do Japão, subiu 1,4%, para 67.231 pontos; e o Kospi, da Coreia do Sul, ganhou 3,68%, para 8.788 pontos.

Dólar — foto: Freepik.

Fonte: G1 Globo

Fonte: G1 Globo

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