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Após quase cinco anos sem IPOs, Compass estreia na B3 com oferta de R$ 3,2 bilhões e valor de mercado de R$ 20 bi

Após quase cinco anos sem IPOs, Compass estreia na B3 com oferta de R$ 3,2 bilhões e valor de mercado de R$ 20 bi

A Compass, empresa de gás e energia controlada pela Cosan, estreia nesta segunda-feira (11) na B3 com uma oferta pública inicial (IPO) que pode movimentar cerca de R$ 3,2 bilhões. É a primeira abertura de capital na bolsa brasileira desde 2021. Um IPO (Initial Public Offering) é a primeira oferta pública de ações de uma companhia, permitindo que investidores negociem seus papéis no mercado. A Compass atua em diferentes etapas da cadeia de gás natural no Brasil — distribuição, infraestrutura e comercialização — e controla diversos negócios. Entre seus principais ativos está a participação na Comgás, maior distribuidora de gás canalizado do país, em São Paulo. A empresa também tem participação em outras distribuidoras, como Sulgás (RS), Compagás (PR), MS Gás e SCGás, e opera o Terminal de Regaseificação de São Paulo (TRSP), no Porto de Santos, responsável por importar gás natural liquefeito (GNL), que chega ao Brasil em navios e é convertido novamente em gás para abastecer o mercado nacional. Por meio da Edge, empresa do grupo, carretas criogênicas transportam GNL do TRSP para indústrias em regiões sem acesso a gasodutos. A Compass investe na expansão da rede de distribuição para atender residências, comércios e indústrias, sobretudo em áreas de forte atividade econômica. A companhia informa ter cerca de 3,1 milhões de clientes conectados e uma rede de aproximadamente 28 mil quilômetros, por onde são distribuídos 14,4 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Desde 2020, os investimentos somaram cerca de R$ 15 bilhões. Segundo o documento do IPO, a companhia encerrou 2025 com patrimônio líquido de R$ 7,43 bilhões, enquanto a capitalização total ajustada — indicador que considera patrimônio líquido, empréstimos, financiamentos e debêntures — alcançou R$ 25,36 bilhões no fim de 2025. A ação da Compass será negociada sob o código PASS3. O preço foi definido em R$ 28, no piso da faixa indicativa (que ia até R$ 35), resultando em uma operação próxima de R$ 3,2 bilhões. Inicialmente, a oferta envolvia 89,3 milhões de ações, em um montante estimado de R$ 2,5 bilhões, mas a demanda levou à inclusão de lotes adicionais, elevando o valor em cerca de R$ 700 milhões. A estreia ocorre com a empresa avaliada em aproximadamente R$ 20 bilhões. Entre os vendedores de ações estão a controladora Cosan, fundos da Atmos e da Brasil Capital, além de Bradesco Vida e Previdência e do grupo Bússola. A transação também reforça o caixa da Cosan. O BTG Pactual é o coordenador-líder da operação, que conta ainda com Bank of America, Bradesco BBI, Citi, Itaú BBA, Santander, JPMorgan, XP, BNP Paribas e UBS BB. Em comunicado, a Cosan informou que sua participação na Compass será reduzida de 88% para 77,25%, podendo chegar a 75,37% caso o lote adicional seja exercido. A oferta envolve 76,8 milhões de ações, com possibilidade de um lote suplementar de 13,4 milhões de papéis. Se todas as ações suplementares forem vendidas, a oferta pode alcançar R$ 3,2 bilhões, dos quais R$ 2,5 bilhões ficam com a companhia. O movimento integra a estratégia do grupo de reduzir endividamento. Ainda conforme o prospecto, a oferta é destinada apenas a investidores profissionais, como fundos, bancos e outras instituições financeiras. O Brasil ficou quase cinco anos sem novos IPOs. O último havia ocorrido em setembro de 2021, com a estreia da Vittia — a 45ª abertura de capital daquele ano, segundo a B3. A retomada do mercado começou no exterior: em janeiro, o PicPay realizou seu IPO nos Estados Unidos, levantando cerca de US$ 434,3 milhões com a venda de aproximadamente 22,9 milhões de ações na Nasdaq. A interrupção de IPOs no país ocorreu, em grande parte, pela alta dos juros nos últimos anos, que levou a Selic a 15% ao ano — o maior nível em quase duas décadas. Atualmente, a taxa está em 14,50% ao ano, com expectativa de queda. Juros mais altos tornam a renda fixa mais atraente e, consequentemente, reduzem o apetite por ofertas de ações. Além disso, preocupações com as contas públicas também pesaram. Antes de lançar um IPO, empresas consideram o ambiente econômico, fatores internos e as condições de mercado. Apesar das incertezas provocadas pelas tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pelos conflitos no Oriente Médio, o mercado projeta redução da Selic para 13% ao ano, o que tende a melhorar o cenário para novas ofertas; para o fim de 2027, a projeção é de 11% ao ano. A Compass também atua em biometano por meio da OneBio, em Paulínia (SP), controlada pela Edge, empresa do grupo.

Fonte: G1

Fonte: G1

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