BC liquida Will Financeira: como o Will Bank cresceu entre a baixa renda, com 60% no Nordeste, e o que se sabe até agora
O Banco Central decretou, nesta quarta-feira (21), a liquidação extrajudicial da Will Financeira, que opera sob a marca Will Bank. A instituição, com sede em São Paulo, integra o conglomerado do Banco Master. A decisão interrompe as atividades da empresa responsáveis pela captação de recursos e pela concessão de crédito dentro do grupo.
Voltado à inclusão financeira, o Will Bank se posiciona como banco digital orientado principalmente a pessoas com pouco acesso ao sistema financeiro tradicional, especialmente clientes de renda média e baixa. Sua base de usuários é majoritariamente nordestina: cerca de 60% dos clientes estão na região, muitos deles em cidades de pequeno porte.
A fintech surgiu em 2017, a partir do pag!, emissor de cartões de crédito fundado por Felipe Felix — atual CEO — ao lado dos irmãos Giovanni e Walter Piana. Em 2020, passou por uma reformulação, adotou a marca Will Bank e ampliou a atuação para além do cartão de crédito, consolidando-se como banco digital.
Ao longo dos anos, o portfólio foi expandido com conta digital remunerada, pagamentos via Pix e boletos, empréstimo pessoal, antecipação do saque-aniversário do FGTS e um marketplace com sistema de cashback. A comunicação da marca manteve linguagem simples e acessível, reforçando o discurso de democratização do crédito.
Em 2021, a instituição recebeu um aporte de R$ 250 milhões do fundo de private equity da XP e da Atmos Capital, que passaram a deter uma participação minoritária de 24,9%. No ano seguinte, o banco incorporou a equipe e as parcerias da startup de cashback Getmore, acelerando a estratégia de vendas online e de marketplace.
Em 2024, após aval do Cade e do Banco Central, o grupo passou por reestruturação societária: o controle da Will Instituição de Pagamento foi transferido ao Grupo Reag, enquanto a Will Financeira passou para o controle do Grupo Master. Como parte do processo, ativos e passivos ligados ao arranjo de pagamentos começaram a ser transferidos da instituição de pagamento para a financeira.
Apesar da intervenção decretada pelo Banco Central, o Will Bank registrou melhora em seus resultados recentes. No primeiro semestre de 2024, a companhia reverteu prejuízos acumulados e apurou lucro líquido de R$ 47,4 milhões, segundo dados divulgados pela própria instituição.
Esta reportagem está em atualização.
Fonte: G1 Globo
Fonte: G1 Globo