BHV Marais vende ativo e quer saída da Shein até o Natal; presença é classificada como 'erro estratégico'
A Shein, varejista chinesa de ultra fast fashion, vai encerrar as operações de sua primeira e única loja física permanente em Paris. Desde novembro, a marca ocupa o sexto andar da BHV Marais, na região do Marais, em frente à prefeitura da capital francesa. Na terça-feira (16/06), a operadora da BHV, a SGM, anunciou a venda do ponto comercial a um grupo empresarial e afirmou que a Shein deverá, idealmente, deixar o local até o Natal. A empresa classificou como um "erro estratégico" ter autorizado a presença da marca no endereço. Sobre os planos de abrir mais cinco lojas na França, o diretor da SGM, Frédéric Merlin, disse que os compromissos contratuais fora de Paris serão cumpridos até a realização de uma revisão de longo prazo. Ele reconheceu ter cometido "erros" e afirmou que a venda da BHV integra um "plano genuíno para uma retomada eficaz por pessoas sérias". A instalação da Shein em um ponto de prestígio na capital da moda provocou reações de indignação, com críticas ao modelo de negócios, aos impactos ambientais e a supostas vendas online de produtos ilegais. Milhares de comerciantes acionaram a varejista na Justiça por concorrência desleal, e cerca de 100 marcas deixaram a BHV Marais após a chegada da empresa, segundo a administração do local. Houve protestos no dia da inauguração, quando manifestantes relembraram denúncias de trabalho infantil na cadeia de fornecedores. Em dezembro, reguladores da União Europeia abriram investigação por suspeita de que a Shein não limitou adequadamente a venda de itens como bonecas sexuais com aparência infantil, armas e medicamentos proibidos na UE. O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, determinou que autoridades bloqueassem o acesso ao site da Shein por dois dias, período em que a alfândega reteve encomendas para inspeção. Depois da repercussão, a empresa afirmou ter removido imediatamente os itens do marketplace e proibido globalmente a comercialização de bonecas sexuais em seu site. Fundada na China em 2012 e atualmente sediada em Singapura, a Shein é alvo de críticas por condições de trabalho na cadeia de fornecimento e pelos impactos ambientais associados ao modelo de ultra fast fashion. No início de junho, o governo francês aplicou duas multas que somam mais de 22 milhões de euros (R$ 128,8 milhões) por problemas de rastreabilidade, rotulagem ambiental e prazos de entrega. Com isso, o total de multas impostas à empresa no país supera 210 milhões de euros (R$ 1,2 bilhão). Procurada, a Shein disse respeitar a decisão da BHV de encerrar a parceria. A empresa lamentou que a "colaboração experimental" tenha ocorrido em meio a problemas preexistentes na unidade parisiense, como reformas em vários andares, que afetaram a experiência dos clientes.
Fonte: G1
Fonte: G1