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Cartas de Pokémon que valem milhões desencadeiam onda de furtos-relâmpago no Reino Unido

Cartas de Pokémon que valem milhões desencadeiam onda de furtos-relâmpago no Reino Unido

Uma sequência de furtos do tipo smash and grab — invasões rápidas com quebra de vitrines — tem atingido lojas de cartas de Pokémon no Reino Unido, impulsionada pela forte valorização desses itens colecionáveis. A Celestial Collectables, em Warrington (Cheshire), foi uma das mais recentes vítimas. Casos semelhantes ocorreram nas últimas semanas em Rugby, Bristol, Bournemouth, Peterborough e Nottingham. As perdas reportadas variam de dezenas de milhares de libras, segundo lojistas, enquanto a Polícia de Cheshire informou à BBC que mantém contato com forças do noroeste e de outras regiões para conter o problema.

Colecionadas e negociadas há 30 anos, as cartas ganharam projeção adicional na internet desde a pandemia de Covid-19, e as mais raras atingem valores expressivos. Um leilão recente da casa especializada Stanley Gibbons Baldwins movimentou mais de 1,5 milhão de libras (cerca de R$ 9,4 milhões) em "ativos de Pokémon". Embora a maioria das cartas não alcance milhares de libras, vendas de alto perfil têm ampliado o interesse de colecionadores e investidores. No início deste ano, o youtuber e lutador Logan Paul leiloou uma carta ultrarrara de Pikachu, em excelente estado, por US$ 16,5 milhões (aproximadamente R$ 81 milhões).

Segundo Roy Raftery, especialista em cartas colecionáveis da Stanley Gibbons Baldwins, o aumento de valor tem atraído criminosos — alguns sem saber exatamente o que estão levando. Raftery já intermediou transações superiores a 2 milhões de libras (cerca de R$ 12,8 milhões), incluindo uma Pokémon Trainer por 84 mil libras (cerca de R$ 537 mil), um Charizard por 442,8 mil libras (cerca de R$ 2,8 milhões) e um Pikachu Illustrator por 832 mil libras (cerca de R$ 5,3 milhões). "Os ladrões sabem que Pokémon é lucrativo e acreditam que é um alvo mais fácil do que um banco ou uma joalheria", afirmou.

A Polícia de Wiltshire relatou que uma loja em Trowbridge foi arrombada nesta semana, com a subtração de uma quantidade substancial de cartas e outros itens. Em Warrington, o proprietário da Celestial Collectables, Chris Grundy, descreveu a ação: os criminosos estacionaram uma van em frente à loja, ergueram as câmeras com vassouras e quebraram o vidro. "Em cerca de quatro minutos, praticamente reviraram a loja inteira", disse. O dinheiro e os itens de maior valor estavam no cofre, mas foram levadas cartas autenticadas e precificadas, avulsas e diversos pacotes lacrados com acabamento foil, além de caixas de coleção que variam de 40 a 300 libras (cerca de R$ 285 a R$ 2.140). O prejuízo foi estimado em cerca de 60 mil libras (aproximadamente R$ 370 mil).

Outras lojas também relataram perdas. A Trove UK, em Bournemouth, informou o furto de 30 mil libras (cerca de R$ 186 mil) em produtos; a Full Fire TCG, em Gloucester, calculou 25 mil libras (cerca de R$ 155 mil) em mercadorias; e um comerciante em Peterborough reportou prejuízo de cerca de 80 mil libras (cerca de R$ 496 mil). Para o detetive-inspetor Liam Keenan, da Polícia de Cheshire, o caso de Warrington integra uma série de ataques semelhantes em diferentes localidades, e as forças policiais têm trocado informações para enfrentar a tendência.

Apesar do impacto financeiro e emocional, a reação das comunidades tem sido um contraponto. Após o arrombamento, a Celestial Collectables recebeu doações de estoque de lojas vizinhas e até de crianças que levaram suas próprias coleções. "Recebemos pessoas doando cartas, montando móveis e ajudando na limpeza. Algumas crianças trouxeram cartas que talvez valessem apenas 3 libras (cerca de R$ 21), mas para nós significou muito", afirmou Grundy.

Em Bristol, a Card Catcher Shop, de Sam Jackway, foi invadida na madrugada do domingo de Páscoa. O prejuízo foi de cerca de 2 mil libras (aproximadamente R$ 12 mil), mas o proprietário destacou os efeitos sobre a saúde mental da equipe. Jackway acompanhou a invasão em tempo real por alerta do sistema de câmeras. Com alarme sonoro, holofotes e monitoramento, os suspeitos permaneceram cerca de cinco minutos no local; a polícia e o comerciante chegaram poucos minutos após a fuga.

Grundy disse ter reforçado a segurança de sua loja com novos equipamentos e detectores de movimento e orientou outros lojistas e colecionadores a protegerem melhor seus itens. "Foi devastador, mas, como empresa e como comunidade, vamos nos recuperar. Nós amamos Pokémon", concluiu.

Fonte: G1 Globo

Fonte: G1 Globo

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