Com Brent acima de US$ 125, dólar abre a R$ 4,98; foco em Pnad e PIB dos EUA em dia de tensões no Oriente Médio
O dólar abriu em queda nesta quinta-feira (30), recuando 0,32% na abertura, a R$ 4,9858. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, inicia as negociações às 10h.
A sessão é marcada por uma agenda carregada no Brasil e no exterior, enquanto investidores acompanham dados de emprego domésticos e, nos Estados Unidos, indicadores de crescimento e inflação em meio ao aumento das tensões geopolíticas.
No Brasil, o destaque é a divulgação, às 9h, da Pnad Contínua de março pelo IBGE. A taxa de desemprego estava em 5,8% no trimestre até fevereiro — alta na comparação com o período imediatamente anterior e queda na base anual. Para março, o mercado projeta avanço para cerca de 6,1%.
Nos Estados Unidos, o Departamento do Comércio publica às 9h30 a primeira estimativa do PIB do primeiro trimestre de 2026. No dado anterior, a economia havia crescido 0,5% frente ao trimestre imediatamente anterior; agora, a expectativa é de aceleração para 2,3% no período.
No cenário externo, o petróleo Brent superou US$ 125 por barril no início do dia, refletindo incertezas em torno do conflito no Irã, que já dura nove semanas sem perspectiva clara de resolução. O bloqueio aos portos iranianos e a manutenção do fechamento do Estreito de Ormuz pelos EUA seguem pressionando as cotações, e sinais de possível escalada reduzem as chances de um acordo rápido.
O presidente Donald Trump voltou a ameaçar o Irã publicamente, demonstrando insatisfação com propostas apresentadas nas negociações e indicando a possibilidade de novos ataques militares. As conversas para encerrar o conflito seguem sem avanço concreto. Em paralelo, os EUA avaliam diferentes estratégias, incluindo declarar vitória e reduzir a presença militar na região.
Do lado iraniano, autoridades afirmam que a guerra não acabou e que responderão com mais intensidade em caso de novos ataques. Durante o cessar-fogo, Teerã tem reorganizado sua capacidade militar, com recuperação de equipamentos e produção de drones. O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do petróleo global, permanece com restrições impostas pelo Irã, que condiciona a reabertura total ao fim definitivo da guerra e a garantias de segurança.
No Brasil, o mercado espera que o Banco Central realize um novo corte na taxa básica de juros nesta quarta-feira (29), na reunião do Copom. A decisão ocorre em um ambiente mais delicado, com a alta do petróleo pressionando a inflação global e já impactando os combustíveis no país. Diante desse quadro, parte dos analistas defende maior cautela ou até uma pausa no ciclo de queda dos juros. O BC, por sua vez, decide com base nas projeções futuras de inflação: com a meta contínua de 3% (tolerância entre 1,5% e 4,5%), avalia se há espaço para estimular a economia sem perder o controle dos preços. Hoje, o mercado projeta inflação próxima de 4% para o próximo ano, acima do centro da meta.
Nos EUA, o Federal Reserve manteve a taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano — o menor nível desde setembro de 2022 —, em linha com as expectativas, na decisão anunciada nesta quarta-feira (29). Foi a terceira reunião consecutiva sem mudança e a última sob a presidência de Jerome Powell, que deixará o cargo em 15 de maio após oito anos, período marcado por choques como a pandemia, a guerra entre Rússia e Ucrânia e as tensões no Oriente Médio. Com sua saída, cresce a expectativa sobre potenciais mudanças na política monetária americana, especialmente diante da indicação de Kevin Warsh para sucedê-lo.
Os mercados globais tiveram desempenho misto na quarta-feira: em Wall Street, o Dow Jones caiu 0,57% e o S&P 500 recuou 0,04%, enquanto o Nasdaq avançou 0,04%. Na Europa, os índices encerraram no menor nível em três semanas, pressionados por balanços mistos e pela incerteza sobre os efeitos econômicos da guerra no Irã, além da cautela pré-Fed: o STOXX 600 caiu 0,60%; o FTSE 100, 1,16%; o DAX, 0,27%; e o CAC-40, 0,39%. Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em alta, impulsionadas por tecnologia e transição energética: o SSEC, de Xangai, subiu 0,71% (4.107 pontos); o CSI300, 1,10% (4.810 pontos); e o Hang Seng, de Hong Kong, 1,68% (26.111 pontos). Em Seul, o Kospi avançou 0,75% (6.690 pontos). Taiwan recuou 0,55% (39.303 pontos), Singapura caiu 0,55% (4.860 pontos) e Sydney perdeu 0,27% (8.687 pontos). Tóquio permaneceu fechada. Na China, o movimento positivo foi puxado por ações de terras raras, baterias e energia limpa, após resultados fortes do setor, mas investidores mantiveram cautela depois de o Politburo sinalizar continuidade das políticas atuais, sem novos estímulos imediatos.
Foto: Heloise Hamada/G1
Fonte: G1
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