Cosan pode vender fatia na Raízen e planeja extinguir holding em 3 a 5 anos; dívida de R$ 65 bi pressiona reestruturação
A Cosan poderá vender sua participação na Raízen após a reestruturação financeira da companhia, e a holding deve ser dissolvida nos próximos anos, afirmou nesta sexta-feira (15) o CEO Marcelo Martins. Segundo o executivo, a fatia da Cosan na Raízen deve encolher de forma significativa porque a empresa não acompanhará um novo aporte de capital da Shell, sua sócia no negócio. Paralelamente, credores negociam converter parte da dívida da Raízen em ações, o que tende a diluir ainda mais a posição da Cosan e torná-la acionista minoritária. A Raízen, uma das maiores produtoras de açúcar e etanol do mundo e responsável pela distribuição da marca Shell no Brasil, Argentina e Paraguai, tenta reorganizar cerca de R$ 65,1 bilhões em dívidas para evitar uma recuperação judicial. Em março, a companhia entrou em recuperação extrajudicial para renegociar parte desses débitos diretamente com credores. Martins acrescentou que a Cosan poderá vender sua participação na Raízen no futuro, embora não haja definição de prazo nem de tamanho da operação. O executivo também afirmou que a Cosan deve deixar de existir como holding em um horizonte de três a cinco anos, em um processo que pode começar já em 2027. A estratégia integra o plano de redução do endividamento: os atuais acionistas da Cosan passariam a deter participações diretas nas empresas do grupo, como Rumo e Compass. No primeiro trimestre, a dívida líquida expandida da Cosan ficou em R$ 11,5 bilhões, queda de 34% na comparação anual. A Raízen opera postos de combustíveis, abastecimento de aviação, lojas Shell Select, o aplicativo Shell Box e projetos de energia renovável. Nos últimos anos, a companhia ampliou investimentos, mas foi pressionada por juros elevados, clima desfavorável nas safras de cana e deterioração dos resultados financeiros.
Fonte: G1 Globo
Fonte: G1 Globo