Credores tomam participação de Tanure na Alliança Saúde e Light
Nelson Tanure foi alvo de mandados de busca e apreensão autorizados pelo STF durante a segunda fase da Operação Compliance Zero — Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados via BBC
O grupo de medicina diagnóstica Alliança Saúde informou no sábado (7) que o fundo Opus, credor ligado ao empresário Nelson Tanure, passou a deter cerca de 49% das ações da empresa após assumir os papéis dados como garantia de uma dívida.
🔎 Tanure usou ações da Light e da Alliança Saúde como garantia de empréstimos. Como os compromissos não foram cumpridos nas condições previstas, os credores ficaram com esses papéis para tentar recuperar os valores. A participação do empresário nessas companhias é indireta, por meio de fundos de investimento e outras empresas.
No mesmo dia, a empresa também comunicou que outro fundo, o Prisma Infratelco VD, passou a ter cerca de 10,7% das ações da Alliança Saúde pelo mesmo motivo.
Com essa mudança, o fundo Fonte de Saúde e a empresa Lormont Participações, ligados ao empresário, deixaram de ter o controle da Alliança Saúde. Agora, juntos, eles possuem apenas 6,96% das ações da companhia.
Os dois fundos que receberam essas ações informaram que não pretendem continuar como donos da empresa e que vão vender suas participações.
Nelson Tanure assumiu o controle da Alliança Saúde em 2023, após concluir uma oferta pública de aquisição de ações (OPA). O processo começou em 2022, quando fundos ligados a ele passaram a comprar participações na empresa.
Em um comunicado separado, a companhia de energia Light informou que o fundo Opus também passou a ter cerca de 9,9% das ações da empresa, igualmente por causa da execução dessa garantia. O fundo disse que também pretende vender essa participação.
No mês passado, Tanure foi um dos alvos de busca e apreensão na segunda fase da operação da Polícia Federal (PF) que apura um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master.
Os policiais foram até a casa de Tanure, mas não o encontraram no local. Ele foi localizado no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, quando embarcaria em um voo nacional. O celular foi apreendido.
Ao todo, os agentes cumprem 42 mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, que também determinou o bloqueio de bens e valores superiores a R$ 5,7 bilhões.
Segundo a corporação, a investigação apura suspeitas de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro envolvendo a concessão de supostos créditos fictícios pelo Master.
À época, os advogados publicaram uma carta escrita pelo empresário negando o envolvimento de Tanure com supostas irregularidades do caso Master.
A 1ª fase da operação aconteceu em novembro passado e resultou em sete prisões, incluindo a de Vorcaro. Segundo estimativa da PF, as fraudes podem chegar a R$ 12 bilhões.
No ano passado, Tanure também foi alvo de uma investigação da Polícia Federal, aberta a pedido do Ministério Público Federal, para apurar se ele seria o verdadeiro controlador do Banco Master, mesmo sem aparecer oficialmente como dono.
Segundo os investigadores, ele teria usado uma rede de empresas, fundos e estruturas financeiras para influenciar o banco sem a autorização do Banco Central. À época, o empresário negou qualquer vínculo societário ou poder de controle sobre a instituição.
Em agosto de 2025, a Receita Federal deflagrou a maior operação já realizada contra esquemas de lavagem de dinheiro no mercado financeiro, envolvendo centenas de fintechs, fundos e gestoras.
Embora Tanure não tenha sido acusado formalmente nessa operação, o episódio reacendeu questionamentos sobre a estrutura dos fundos ligados ao seu nome e sua proximidade com instituições sob investigação.
Nelson Tanure é um empresário brasileiro conhecido por comprar empresas em dificuldade financeira e tentar recuperá-las. Nascido em Salvador, em 1951, é formado em Administração pela UFBA e começou a carreira na empresa imobiliária da família.
Ao longo das décadas, ficou conhecido por investir em setores como energia, petróleo, telecomunicações, saúde, infraestrutura e mídia. Entre as empresas nas quais já teve ou tem participação estão Light, Alliança Saúde, Gafisa, PRIO (antiga PetroRio), TIM Brasil e Ligga Telecom.
Nos anos 2000, também assumiu jornais tradicionais como o Jornal do Brasil e a Gazeta Mercantil durante a crise do setor.
Tanure costuma aparecer no noticiário por disputas societárias e reestruturações de empresas endividadas, estratégia que gera resultados, mas também controvérsias.
Mais recentemente, passou a ser citado em investigações ligadas ao Banco Master, que apuram suspeitas de fraudes financeiras, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. Ele nega irregularidades e diz que não controla o banco.
Reservado na vida pessoal, Tanure tem quatro filhos e mantém ligação com a música clássica e a ópera, tendo sido vice-presidente da Orquestra Sinfônica Brasileira.
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Fonte: G1 Globo