De proposta ao Banco Master à recuperação judicial: quem é Rafael Gois, CEO da Fictor, e o que está em jogo nos R$ 4 bi em compromissos
O Grupo Fictor protocolou pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) para a Fictor Holding e a Fictor Invest. A medida, segundo a empresa, busca equilibrar a operação e assegurar o pagamento de compromissos financeiros que somam cerca de R$ 4 bilhões. No pedido, o grupo afirma ter a intenção de quitar as dívidas sem deságio e solicitou à Justiça um prazo de 180 dias para a suspensão de cobranças e bloqueios. A companhia enfatiza que a recuperação judicial não inclui as subsidiárias, que devem manter rotinas e contratos normalmente, para evitar que empresas economicamente viáveis sejam impactadas por restrições típicas do processo recuperacional.
O movimento trouxe ao centro do noticiário o nome de Rafael Gois, sócio e CEO da holding desde sua criação. Com mais de 25 anos de atuação no mundo dos negócios, Gois passou por áreas como indústria, tecnologia, setor imobiliário e finanças. De acordo com seu perfil no LinkedIn, é bacharel em Administração de Empresas pela Universidade Candido Mendes, formado em 2000, com foco em gestão estratégica, finanças e operações. Na plataforma, o executivo afirma ter ingressado no mercado financeiro aos 16 anos, embora as experiências profissionais listadas se concentrem exclusivamente na Fictor.
Fundada em 2007 com foco inicial em tecnologia, a Fictor passou por transformação ao longo dos anos, diversificando operações para os segmentos de alimentos, serviços financeiros e infraestrutura. O grupo tem sede em São Paulo e presença em diferentes regiões do país. Nos últimos anos, ampliou sua atuação internacional: em 2024, abriu escritório em Lisboa, voltado a projetos de infraestrutura e energia; em abril de 2025, anunciou sua primeira sede nos Estados Unidos, em Miami, marcando o início das operações no mercado americano.
A Fictor ganhou projeção nacional no fim do ano passado ao se envolver no episódio que antecedeu a liquidação extrajudicial do Banco Master. Um consórcio liderado por um dos sócios do grupo anunciou proposta para adquirir a instituição financeira de Daniel Vorcaro. Um dia após o anúncio, o Banco Central decretou a liquidação do banco, suspendendo a operação. Em comunicado, a Fictor afirmou que o episódio impactou diretamente a imagem do grupo e, após a decisão da autoridade monetária, houve aumento de especulações e de notícias negativas, o que teria afetado de forma significativa a liquidez da Fictor Holding e da Fictor Invest. O grupo destacou que a proposta de aquisição estava condicionada à análise e à aprovação prévia dos órgãos reguladores e que permaneceu à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
Reportagem em atualização.
Fonte: G1 Globo
Fonte: G1 Globo