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De quase R$ 500 a centavos: Casas Bahia pede recuperação judicial após queda de 99,86% na Bolsa

De quase R$ 500 a centavos: Casas Bahia pede recuperação judicial após queda de 99,86% na Bolsa

O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas e reorganizar sua situação financeira, após protagonizar uma das maiores desvalorizações recentes da Bolsa brasileira. Em 2020, no auge, as ações BHIA3 chegaram a valer, em valor ajustado, cerca de R$ 489,08; hoje são negociadas por centavos.

Na sexta-feira (14), último pregão antes do anúncio do pedido, os papéis fecharam a R$ 0,66. Nesta segunda-feira (17), por volta das 10h41, eram cotados a R$ 0,46 — queda de 30% no dia. Desde o pico histórico, a desvalorização acumulada é de 99,86%, o que impactou significativamente quem comprou ações no período de maior valorização.

A queda ocorreu de forma gradual, acompanhando a deterioração dos resultados da companhia e um ambiente mais desafiador para o varejo. Na petição de recuperação judicial, a empresa atribui a crise a uma combinação de fatores e destaca que os juros elevados afetaram especialmente seu modelo de negócios, dependente de financiamento para manter estoques e conceder crédito aos clientes, o que elevou as despesas financeiras e consumiu parte do caixa operacional.

Em 2023, a Casas Bahia iniciou um plano de transformação para reduzir custos, que incluiu o fechamento de 55 lojas, a redução de cerca de 8.600 postos de trabalho, corte de investimentos e diminuição de estoques. No ano seguinte, renegociou parte das dívidas por meio de uma recuperação extrajudicial, considerada bem-sucedida pela própria companhia, mas afirma que o ambiente econômico permaneceu desfavorável e a pressão financeira elevada.

No pedido de recuperação judicial ao qual o G1 teve acesso, a empresa informou que aprofundou a reestruturação, com a demissão de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas. Atualmente, o grupo afirma empregar mais de 20 mil pessoas.

Com a cotação abaixo de R$ 1, as ações passaram a integrar o grupo conhecido como penny stocks — papéis negociados por menos de R$ 1, geralmente mais voláteis e associados a empresas em dificuldade financeira, embora o preço baixo, por si só, não signifique que estejam baratas.

Desde o pedido de recuperação extrajudicial, em abril de 2024, os papéis acumulam perda de 87,9%, ao recuarem de R$ 7,30 para R$ 0,66 na véspera da recuperação judicial.

A companhia abriu capital na Bolsa em dezembro de 2013, então como Via Varejo, em operação que movimentou cerca de R$ 2,8 bilhões. Ao longo dos anos, mudou o nome para Via S.A. e, posteriormente, para Grupo Casas Bahia, adotando o ticker BHIA3. Treze anos depois da estreia, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial.

Uma imagem de 29 de abril de 2024 registra movimento de clientes em uma loja da Casas Bahia na zona sul da capital paulista.

Fonte: G1

Fonte: G1

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