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Depois de quase 5 anos sem IPOs, Compass estreia na B3 com PASS3 e movimenta R$ 3,2 bi

Depois de quase 5 anos sem IPOs, Compass estreia na B3 com PASS3 e movimenta R$ 3,2 bi

A Compass, empresa de gás e energia controlada pela Cosan, estreia nesta segunda-feira (11) na B3 com sua oferta pública inicial (IPO), a primeira abertura de capital na bolsa brasileira desde 2021. A ação será negociada sob o código PASS3, com preço fixado em R$ 28 por papel — no piso da faixa indicativa, que ia até R$ 35. A operação deve movimentar cerca de R$ 3,2 bilhões e avalia a companhia em aproximadamente R$ 20 bilhões.

Inicialmente, a oferta envolveu 89,3 milhões de ações, estimadas em cerca de R$ 2,5 bilhões. Diante da demanda, foram incluídos lotes adicionais, elevando o montante em aproximadamente R$ 700 milhões. Entre os vendedores estão a controladora Cosan, fundos da Atmos e da Brasil Capital, além de Bradesco Vida e Previdência e do grupo Bússola. A operação também reforça o caixa da Cosan.

O BTG Pactual é o coordenador líder da oferta, que conta ainda com Bank of America, Bradesco BBI, Citi, Itaú BBA, Santander, JPMorgan, XP, BNP Paribas e UBS BB. Em comunicado ao mercado, a Cosan informou que sua participação na Compass cairá de 88% para 77,25%, podendo chegar a 75,37% caso as ações adicionais sejam negociadas. Segundo a controladora, a oferta envolve 76,8 milhões de ações, com lote suplementar de até 13,4 milhões; se todo o suplementar for vendido, a operação pode alcançar R$ 3,2 bilhões, dos quais R$ 2,5 bilhões ficam com a companhia, em movimento alinhado ao objetivo de reduzir o endividamento. O IPO é destinado exclusivamente a investidores profissionais, como fundos, bancos e outras instituições financeiras.

A estreia encerra um hiato de quase cinco anos sem aberturas de capital na B3. O último IPO no Brasil havia ocorrido em setembro de 2021, com a Vittia, 45ª listagem daquele ano. A retomada do apetite por emissões começou no exterior: em janeiro, o banco digital PicPay realizou seu IPO nos Estados Unidos, levantando cerca de US$ 434,3 milhões com a oferta de aproximadamente 22,9 milhões de ações na Nasdaq.

A paralisação dos IPOs no país ocorreu em meio à escalada dos juros e à preocupação com as contas públicas. A Selic chegou a 15% ao ano — o maior patamar em cerca de duas décadas — e, atualmente, está em 14,50% ao ano, com expectativa de queda. Em ambientes de juros elevados, aplicações de renda fixa, em geral menos arriscadas, tornam-se mais atrativas, reduzindo o interesse por ofertas de ações. Apesar de incertezas relacionadas ao tarifaço do presidente dos EUA, Donald Trump, e a conflitos no Oriente Médio, o mercado projeta recuo da Selic para 13% ao ano e, para o fim de 2027, para 11% ao ano.

A Compass atua em diferentes elos do mercado de gás natural no Brasil — distribuição, infraestrutura e comercialização — e controla ativos relevantes, entre eles a Comgás, maior distribuidora de gás canalizado do país, com presença em São Paulo. A companhia também tem participação em Sulgás (RS), Compagás (PR), MS Gás e SCGás, e opera o Terminal de Regaseificação de São Paulo (TRSP), no Porto de Santos, responsável por importar gás natural liquefeito (GNL) e reconvertê-lo para abastecer o mercado nacional. A Edge, empresa da Compass, controla a OneBio, que opera uma planta de biometano em Paulínia (SP), e utiliza carretas criogênicas para transportar GNL do TRSP para indústrias em regiões sem acesso a gasodutos.

A empresa mantém um programa de expansão de rede para atender residências, comércios e indústrias, sobretudo em áreas de forte atividade econômica. São cerca de 3,1 milhões de clientes conectados, com aproximadamente 28 mil quilômetros de dutos, por onde circulam 14,4 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Desde 2020, os investimentos somaram cerca de R$ 15 bilhões. De acordo com o documento do IPO, a Compass encerrou 2025 com patrimônio líquido de R$ 7,43 bilhões e capitalização total ajustada — que considera patrimônio, empréstimos, financiamentos e debêntures — de R$ 25,36 bilhões.

Fonte: G1

Fonte: G1

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