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Do Banco Central ao STF: entenda como o caso Banco Master avançou e ganhou novos desdobramentos

Do Banco Central ao STF: entenda como o caso Banco Master avançou e ganhou novos desdobramentos

PF faz buscas em endereços de Daniel Vorcaro e parentes dele

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (14) uma nova etapa da operação que apura irregularidades envolvendo o Banco Master, recolocando o caso no centro do noticiário. A investigação foi ampliada e passou a alcançar familiares do controlador da instituição, Daniel Vorcaro, além de outros nomes ligados ao mercado financeiro.

Nos últimos meses, o Banco Master esteve no centro de decisões e questionamentos que mobilizaram o Banco Central (BC), o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Supremo Tribunal Federal (STF), aumentando a complexidade do caso.

A crise teve início a partir de suspeitas relacionadas a operações financeiras realizadas pela instituição, que levaram o BC a decretar a liquidação extrajudicial do banco. A medida, no entanto, passou a ser alvo de contestações, abrindo espaço para novas análises sobre sua condução e fundamentos.

Desde então, as investigações avançaram para apurar possíveis fraudes, desvios de recursos e eventuais tentativas de interferência em decisões regulatórias. Parte desses desdobramentos passou a tramitar no STF, sob sigilo.

Nessa etapa da operação Compliance Zero, havia 42 mandados de busca e apreensão, determinados pelo ministro Dias Toffoli, além de medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões.

É nesse contexto que o g1 reúne os principais pontos desse processo, detalhando como o Banco Master se tornou um dos casos mais acompanhados do sistema financeiro brasileiro, quais são as suspeitas em análise e de que forma os acontecimentos recentes se conectam.

Celular de Nelson Tanure é apreendido no Galeão em nova fase da operação contra o Banco Master

O Banco Master teve forte crescimento nos últimos anos, mas com uma estratégia de captação de recursos considerada arriscada por analistas do mercado.

O banco oferecia CDBs (Certificado de Depósito Bancário) com taxas muito acima das praticadas por outras instituições, atraindo investidores com base na proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Com esse tipo de operação, o Master acumulou um passivo bilionário, sustentado por ativos de baixa liquidez, como precatórios e participações em empresas em dificuldades. Essa prática elevou os custos e gerou desconfiança sobre a saúde financeira do banco.

Para tentar contornar a crise, Vorcaro iniciou a busca por um comprador para a instituição. O Banco de Brasília (BRB) chegou a anunciar a aquisição, mas, em setembro, o Banco Central vetou a operação. A instituição continuou procurando outro comprador no mercado.

Em 17 de novembro, a Fictor Holding Financeira anunciou a compra do Banco Master. O acordo previa um aporte imediato de R$ 3 bilhões para reforçar a estrutura de capital da instituição.

Poucas horas após o anúncio, a Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro no aeroporto de Guarulhos. De acordo com os investigadores, ele tentava deixar o país em um avião particular com destino a Malta.

A defesa de Vorcaro, por sua vez, “nega veementemente que ele estivesse fugindo do país”. Segundo os advogados, “o destino final do voo era Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, onde Vorcaro pretendia se encontrar com parte dos compradores Banco Master".

Continua sem explicação a diferença nas informações fornecidas pela defesa de Vorcaro.

Paralelamente, o Banco Central decidiu instaurar administração especial temporária por 120 dias no Banco Master e decretar a liquidação extrajudicial do conglomerado.

Na prática, o BC encerra as atividades do banco e nomeia um liquidante, responsável por assumir o controle, encerrar operações, vender ativos e quitar credores conforme a ordem legal, até extinguir a instituição. Com isso, o banco deixa de integrar o sistema financeiro nacional.

A decisão ocorreu poucas horas após a Fictor Holding anunciar a proposta de compra da instituição de Daniel Vorcaro — e pouco mais de dois meses depois de o BC ter rejeitado a aquisição pelo BRB.

No ofício assinado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a liquidação do Banco Master é justificada pela “situação econômico-financeira da instituição” e pela “infringência às normas que disciplinam a atividade bancária”.

Segundo a investigação da PF:

A decisão do Banco Central de decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master passou a ser contestada em outras instâncias. O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou a realização de uma inspeção para analisar documentos relacionados ao processo.

O BC também foi questionado pelo ministro do TCU Jonathan de Jesus, que solicitou esclarecimentos sobre possíveis indícios de que a liquidação teria ocorrido de forma precipitada.

O g1 apurou que, no passado recente, não houve pedidos semelhantes no tribunal relativos a liquidações de instituições financeiras privadas pelo BC.

O caso Master chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) no fim do ano passado por decisão do ministro Dias Toffoli. Relator do tema, ele determinou sigilo sobre todo o processo. Uma das primeiras medidas foi uma acareação no tribunal.

Segundo a PF, grande parte das operações do Banco Master envolveu bancos e fundos de pensão, escapando ao controle dessas instituições devido à pressão de políticos com influência sobre elas.

O blog do Valdo Cruz informou que governadores e parlamentares ligados a Daniel Vorcaro, com influência sobre esses bancos e fundos de pensão, estão na mira das investigações.

De acordo os investigadores, diz o blog, a venda anunciada nesta segunda-feira do Banco Master para a Fictor foi uma “bomba de fumaça” lançada no mercado diante do avanço das investigações.

O objetivo seria dar uma última cartada para evitar a exposição dos negócios fraudulentos da instituição de Daniel Vorcaro.

Durante a segunda fase da operação Compliance Zero, a PF apreendeu carros, relógios de luxo, dinheiro em espécie e outros bens.

Ao todo, foram apreendidos R$ 97,3 mil em dinheiro, além do bloqueio e sequestro de bens e valores que somam mais de R$ 5,7 bilhões.

A ação cumpre 42 mandados autorizados pelo ministro Dias Toffoli, incluindo buscas em endereços ligados ao controlador do banco, Daniel Vorcaro, e a familiares em São Paulo.

Os mandados tinham alvos em São Paulo, incluindo endereços na Avenida Faria Lima, um dos principais centros financeiros da capital paulista, e os estados da Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

➡️ A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que ele tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes. Ressaltatou, ainda, seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito. (veja mais abaixo)

Procuradas, as defesas do empresário Nelson Tanure e do investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos, não se manifestaram até o fechamento desta reportagem.

O espaço permanece aberto para eventuais posicionamentos dos demais alvos da operação.

Veja a nota da defesa de Daniel Vorcaro na íntegra:

"A defesa de Daniel Vorcaro informa que tomou conhecimento da medida de busca e apreensão e reafirma que o Sr. Vorcaro tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes. Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência.

O Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito. A defesa reitera confiança no devido processo legal e seguirá atuando nos autos para que as informações sejam tratadas de forma objetiva e dentro dos limites constitucionais."

Infográfico - Entenda a polêmica dos CDBs do Banco Master — Foto: Arte/g1

Fachada do Banco Master na cidade de Ssão Paulo, nesta terça-feira, 18 de novembro de 2025. — Foto: Werther Santana/Estadão Conteúdo

Fonte: G1 Globo

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