Dólar abre a R$ 4,96; trégua EUA-Irã e risco em Ormuz mantêm cautela nos mercados
O dólar iniciou a sessão desta quarta-feira (22) em queda, recuando 0,09% na abertura, a R$ 4,9696. O Ibovespa, principal índice da B3, abre às 10h.
Após o feriado de Tiradentes, os mercados reabrem com agenda doméstica mais leve. No exterior, investidores monitoram desdobramentos geopolíticos e fatores que sustentam um ambiente global de cautela.
No cenário internacional, as bolsas reagem ao anúncio feito na véspera pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que prorrogou o cessar-fogo com o Irã até que autoridades iranianas apresentem uma proposta e as negociações sejam concluídas. Apesar da extensão do acordo, a falta de avanços concretos para encerrar o conflito mantém a prudência dos agentes. O risco associado ao fechamento do Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de um quinto da oferta global de petróleo — também segue no radar.
No Brasil, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara pode votar a proposta de emenda à Constituição (PEC) que trata da escala de trabalho 6×1, tema que ganhou repercussão recente e é acompanhado por seu potencial de influenciar expectativas sobre o ambiente de negócios e o mercado de trabalho.
Na segunda-feira, Trump afirmou que não está sob pressão para fechar um acordo com o Irã, mas indicou que as negociações devem avançar em breve. Segundo ele, "o tempo não é meu adversário" e é preciso corrigir "a bagunça" deixada por governos anteriores na condução das relações com o Irã. O republicano disse ainda que o acordo pretendido será "muito melhor" do que o JCPOA, conhecido como acordo nuclear iraniano, fechado durante os governos de Barack Obama e Joe Biden. Do lado iraniano, uma autoridade sênior do governo paquistanês disse à Reuters, também na segunda-feira (20), estar confiante de que o Paquistão conseguirá fazer com que o país participe de negociações com os EUA.
Com a intensificação da guerra no Oriente Médio, analistas do mercado financeiro elevaram novamente a projeção para a inflação em 2026 e passaram a prever juros mais altos. De acordo com pesquisa do Banco Central, o mercado passou a projetar a inflação oficial, medida pelo IPCA, em 4,80% neste ano, ante 4,71% na leitura anterior. As expectativas constam do Boletim Focus, divulgado na segunda-feira (20) pelo BC, com base em levantamento realizado na última semana com mais de 100 instituições financeiras. Se confirmada a projeção, o IPCA ficará abaixo do registrado no último ano — quando somou 4,26%.
Mesmo com a alta das estimativas de inflação neste ano e nos próximos, o mercado financeiro continuou projetando queda dos juros, embora em ritmo menor do que o estimado na semana anterior. Atualmente, a taxa está em 14,75% ao ano, após o primeiro corte em quase dois anos autorizado na semana passada pelo BC.
Os mercados globais encerraram a segunda-feira com desempenho misto. Nos Estados Unidos, o Dow Jones caiu 0,01%, aos 49.442,69 pontos; o S&P 500 recuou 0,22%, aos 7.110,22 pontos; e o Nasdaq perdeu 0,26%, aos 24.404,39 pontos. Na Europa, o índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em queda de 0,8%; França e Alemanha tiveram recuos de cerca de 1,1% nos índices CAC e DAX, enquanto o FTSE, em Londres, cedeu 0,55%. Na Ásia, a maioria dos mercados subiu: Hang Seng (+0,77%), SSEC (+0,76%), Nikkei (+0,6%) e Kospi (+0,44%).
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair.
Foto: Amanda Perobelli/Reuters.
Fonte: G1 Globo
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