Dólar abre em alta a R$ 5,05 em meio a ataques no Oriente Médio e PEC das 40h; veja o que move o mercado
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair.
O dólar iniciou a sessão desta sexta-feira (29) em alta, avançando 0,36% na abertura e negociado a R$ 5,0501. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h.
No exterior, as tratativas entre Estados Unidos e Irã voltaram ao centro do noticiário. Segundo o site Axios, negociadores dos dois países chegaram a um entendimento para prorrogar o cessar-fogo por 60 dias e iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano. O acerto ainda depende do aval do presidente americano, Donald Trump. Mesmo com o avanço diplomático, ataques foram registrados na quinta-feira: o Irã afirmou ter atingido uma base aérea americana nas proximidades do aeroporto de Bandar Abbas, em retaliação a uma ação dos EUA contra o que Washington descreveu como uma operação iraniana de drones perto do Estreito de Ormuz. De acordo com a Guarda Revolucionária iraniana, a base seria a mesma utilizada no ataque americano da quarta-feira (27).
Os Estados Unidos também anunciaram sanções contra a recém-criada Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA). Segundo o Departamento do Tesouro, o órgão foi instituído por Teerã para coordenar o tráfego e cobrar taxas de embarcações comerciais no corredor marítimo.
No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou na noite de quarta-feira uma PEC que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas em até 14 meses e permite o fim da escala 6x1. Apesar do avanço na Câmara, a proposta deve enfrentar resistência no Senado. A agenda econômica trouxe ainda dados do mercado de trabalho: a taxa de desemprego ficou em 5,8% no trimestre até abril de 2026, segundo o IBGE. Já o Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego, registrou a criação de 85.888 vagas formais em abril, queda de 63,9% em relação a abril de 2025, quando foram abertos 238.216 postos.
As indicações, no fim da manhã de quinta-feira, de que EUA e Irã haviam chegado a um entendimento para prorrogar o cessar-fogo por 60 dias e abrir tratativas sobre o programa nuclear foram bem recebidas pelos mercados. O acordo, contudo, ainda dependia da aprovação final de Donald Trump e seria o avanço diplomático mais significativo desde o início da guerra, segundo o Axios. A expectativa é de negociações mais intensas para contemplar exigências sobre o enriquecimento de urânio.
Apesar desse progresso, as tensões se acirraram com novas ações militares. A Guarda Revolucionária do Irã disse que o ataque à base americana foi um “aviso sério” e prometeu respostas “ainda mais decisivas” a novos bombardeios. Militares dos EUA informaram ter derrubado drones iranianos considerados ameaças na região. Mais cedo, explosões foram registradas em Bandar Abbas, importante cidade portuária iraniana, e sistemas de defesa aérea foram acionados por vários minutos, segundo a imprensa estatal do Irã. A região já havia sido alvo na terça-feira (26), quando os EUA disseram ter atingido locais de lançamento de mísseis e embarcações iranianas supostamente usadas para instalar minas marítimas.
Após as novas ações, Teerã acusou Washington de violar o cessar-fogo em vigor desde 7 de abril. Mesmo com a escalada, os dois países seguem negociando um possível acordo de paz mediado pelo Paquistão. O conflito começou no fim de fevereiro, após ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, e se espalhou pelo Oriente Médio, elevando a tensão global e afetando o mercado de energia. Um dos pontos centrais do impasse é o controle do Estreito de Ormuz, rota por onde passa parte relevante do petróleo mundial: o Irã restringiu o tráfego, e os EUA responderam com bloqueio naval a portos iranianos. Apesar dos confrontos, o governo iraniano avalia como improvável uma retomada total da guerra, alegando “fraqueza” dos adversários.
Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street fecharam em alta enquanto investidores avaliavam novos dados de inflação e acompanhavam as negociações entre EUA e Irã. O índice PCE, principal indicador observado pelo Federal Reserve, acelerou em abril e registrou o maior avanço em três anos, puxado pela energia em meio à guerra, reforçando a perspectiva de juros elevados até o próximo ano. O Dow Jones subiu 0,05%, o S&P 500 avançou 0,58% e o Nasdaq ganhou 0,91%.
Na Europa, as bolsas recuaram na quinta-feira, apesar dos sinais diplomáticos no Oriente Médio. O índice pan-europeu STOXX 600 caiu 0,5%, aos 625,11 pontos. Entre os principais mercados, o FTSE de Londres perdeu 0,75%, o DAX de Frankfurt caiu 0,34% e o FTSE/Mib de Milão avançou 0,50%.
Na Ásia, os pregões encerraram em queda após novos ataques dos EUA ao Irã reduzirem o otimismo sobre um acordo de paz. O Hang Seng, de Hong Kong, caiu quase 2%, pressionado por tecnologia. Na China, o Xangai recuou 0,4% e o CSI 300 perdeu 1,1%. No Japão, o Nikkei cedeu 0,1% após renovar máximas históricas na véspera. O Kospi, da Coreia do Sul, recuou 1,1% com realização de lucros em ações de chips e inteligência artificial. Na Austrália, o S&P/ASX 200 caiu 1,1%, e os futuros do Nifty 50, da Índia, recuavam 0,3%.
Imagem: Freepik
Fonte: G1 Globo
Fonte: G1 Globo