Dólar abre em alta com impasse EUA-Irã no Estreito de Ormuz e PPI no radar; veja o que move os mercados hoje
O dólar abre em alta nesta quinta-feira (13) em meio à escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz e à expectativa por indicadores no Brasil e nos EUA. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, inicia os negócios às 10h.
No front geopolítico, o Irã afirmou manter o controle do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo, contestando declarações dos Estados Unidos de que teriam domínio sobre a região. A disputa mantém o mercado atento a potenciais impactos no comércio internacional da commodity e na segurança da navegação.
Na véspera, segundo a Bloomberg, Donald Trump declarou deter o controle do Estreito, por onde passa cerca de 20% do comércio mundial de petróleo. A informação foi rejeitada pelo Irã, que vem realizando ataques intermitentes a navios na área. De acordo com a Reuters, o número de embarcações monitoradas no canal caiu para oito na terça-feira, o menor nível em uma semana, sinalizando cautela de armadores diante das tensões. As conversas por um acordo de paz seguem sem avanço. No fim de semana, o Irã divulgou uma lista de exigências para a reabertura do Estreito e disse que os EUA precisarão cumpri-las para liberar a passagem de embarcações, segundo o The New York Times, com base em anúncio da mídia estatal iraniana. O conteúdo detalhado das exigências não foi informado no material disponível. O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, afirmou ainda que Irã e Omã estão “muito perto” de um acordo para uma nova rota de navegação. Na segunda-feira, Trump ironizou o pedido iraniano de indenização a ser paga por Washington para a reabertura do Estreito de Ormuz.
Na agenda doméstica, o IBGE divulga uma nova estimativa para a safra de grãos de 2026, com previsão de 347,4 milhões de toneladas — levemente acima de 2025, porém abaixo da projeção anterior. Também saem os dados de vendas do varejo de junho, com expectativa de alta de 0,3% em relação a maio, sugerindo ligeira melhora no consumo das famílias. Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) publica o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), que permanece em terreno de pessimismo há 19 meses e no menor patamar desde a pandemia.
No exterior, os EUA divulgam o Índice de Preços ao Produtor (PPI) de julho, indicador acompanhado de perto por sinalizar a trajetória da inflação antes de chegar ao consumidor e potencialmente influenciar as próximas decisões de juros do Federal Reserve (Fed).
Os dados mais recentes de inflação ao consumidor nos EUA mostraram alta de 0,2% em julho, enquanto o núcleo (que exclui itens voláteis) avançou 0,1%. O resultado veio em linha com as expectativas e foi interpretado como sinal de normalização, após a queda dos preços de energia ter ajudado o índice em junho. Segundo Vinicius Flores, gestor e sócio da Stratton Capital, os aluguéis responderam por cerca de dois terços da alta de julho — um componente que tende a demorar mais para refletir mudanças de preços. Em 12 meses, o núcleo desacelerou de 2,6% para 2,5%, ainda acima da meta de 2% do Fed. Para o gestor, como o dado ficou próximo do esperado, a próxima leitura de inflação, antes da reunião de setembro do Fed, deve ter peso maior na decisão de juros. Após a divulgação, os rendimentos dos Treasuries e o índice do dólar frente a outras moedas recuaram.
Nos mercados, Nova York encerrou a quarta-feira sem direção única: Dow Jones -0,06%, S&P 500 +0,26% e Nasdaq Composite +0,55%. Na Europa, o STOXX 600 caiu 0,16%, a 659,48 pontos; o DAX recuou 0,23%, o CAC-40 cedeu 0,46% e o FTSE 100 teve queda de 0,10%. Na Ásia, o CSI 300 subiu 0,6% e o índice de Xangai avançou 0,3%; o Hang Seng caiu 0,8%; o Kospi valorizou 3,68%; e o Nikkei ganhou 0,83%.
Com informações da Reuters. (Foto: Reuters/Lee Jae-Won/arquivo)
Fonte: G1 Globo
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