Dólar abre em queda, com tensões no Estreito de Ormuz e alta do petróleo
Preço do petróleo volta a disparar com o aumento das tensões no Oriente Médio
O dólar abriu a sessão desta terça-feira (14) em queda, com um recuo de 0,20% perto das 9h, cotado a R$ 5,1220, em meio ao avanço nos preços do petróleo no mercado internacional. Já as negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam às 10h.
▶️ As tensões no Estreito de Ormuz voltaram a pressionar os preços do petróleo no mercado internacional para cima. Na véspera, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que os Estados Unidos vão retomar o bloqueio naval ao Irã a partir de hoje e que passarão a cobrar uma taxa de 20% sobre toda carga transportada pelo canal, que é rota de cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo.
▶️ Na agenda econômica, investidores avaliam novos dados da inflação ao consumidor nos EUA. Os dados são importantes para esclarecer ao mercado financeiro quais devem ser os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na condução dos juros. Segundo a XP, o choque no mercado de petróleo elevou as apostas para uma alta das taxas já neste mês.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou, na véspera, um novo bloqueio naval no Estreito de Ormuz para impedir o tráfego de embarcações ligadas ao Irã. A expetativa é que a operação tenha início nesta terça-feira, às 17h.
A medida entra em vigor um dia após o presidente americano afirmar que pretende assumir o controle do canal.
O Irã bombardeou, na segunda-feira (13), bases militares dos Estados Unidos em Bahrei, Kuwait, Omã e na Jordânia, em retaliação a ataques norte-americanos contra alvos iranianos.
Além disso, o governo iraniano ameaçou abandonar o acordo de paz na guerra no Oriente Médio firmado com os EUA em junho caso Washington não mantenha seus compromissos para encerrar o conflito.
“Cada vez que a outra parte [EUA] deixou de cumprir suas obrigações, nós também não cumpriremos as nossas e continuaremos a agir dessa forma”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, sobre o mais recente episódio de hostilidades entre os dois países.
Os EUA afirmaram ter bombardeado alvos militares no Irã ao longo dos últimos dias. Apenas no sábado, foram mais de 100 localidades iranianas alvejadas.
Como resposta, o Irã afirmou ter fechado "por tempo indeterminado" o Estreito de Ormuz para navios comerciais e retaliou contra bases dos EUA no Oriente Médio. O Estreito é uma das principais rotas marítimas comerciais do petróleo.
O governo de Donald Trump contestou a alegação, e disse que a via marítima permanece aberta. O trânsito de embarcações na região, no entanto, permaneceu majoritariamente paralisado.
Os dois países voltaram a trocar ataques com maior frequência ao longo deste fim de semana, algo que viola o frágil acordo de paz firmado no dia 17 de junho, que formalizou um cessar-fogo mais duradouro e um caminho para um tratado definitivo.
O governo do Irã afirmou nesta segunda que segue o diálogo diplomático com os países mediadores do conflito —Catar, Paquistão e Omã— para "evitar uma escalada" que leve à retomada plena da guerra contra os EUA.
Em Wall Street, os índices fecharam em queda, em meio às preocupações com a nova escalada das tensões entre EUA e Irã.
O Dow Jones teve queda de 0,26%, enquanto o S&P 500 recuou 0,78% e o Nasdaq Composite caiu 1,55%.
Na Europa, a maioria das bolsas da região fechou em alta, de olho no aumento dos preços do petróleo no mercado internacional. O índice pan-europeu STOXX 600 ficou estável.
Entre os principais índices, o DAX, da Alemanha, subiu 0,19%, enquanto o CAC-40, da França, teve alta de 0,31% e o FTSE 100, do Reino Unido, avançou 0,01%.
Na Ásia, as bolsas fecharam mistas. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, caiu 1,79%, enquanto o índice composto de Xangai, o SSEC, perdeu 2,06%.
O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,16%, enquanto o Nikkei, do Japão, recuou 1,92% e o Kospi, da Coreia do Sul, teve uma desvalorização de 8,95%.
Petróleo, dólar, guerra no Oriente Médio, crise do petróleo, Irã — Foto: Reuters
Fonte: G1 Globo