Dólar abre sob tensão no Oriente Médio, caso Banco Master e dados dos EUA; veja o que mexe com o mercado
O dólar iniciou a sessão desta quinta-feira (5) sob influência do cenário interno e externo, com investidores atentos a dados do Brasil e dos Estados Unidos. O Ibovespa, principal índice da B3, abre às 10h. Entenda o que influencia a alta ou a queda do dólar.
O conflito no Oriente Médio seguiu no centro das atenções. A guerra se intensificou na quarta-feira (4) após os Estados Unidos atingirem um navio de guerra iraniano próximo ao Sri Lanka, aprofundando uma crise que paralisou o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz. Na véspera, o presidente americano, Donald Trump, desafiou o Irã e afirmou que os EUA estão preparados para agir caso o tráfego de navios petroleiros pelo Estreito seja ameaçado, reiterando que a Marinha escoltará as embarcações se necessário. Nesta quarta, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou, sem dar mais detalhes, que o Pentágono e o Departamento de Energia trabalham em um plano para garantir a segurança da navegação na rota.
No noticiário local, o destaque foi o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que voltou a ser preso pela Polícia Federal na terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras. Segundo a PF, o esquema envolve a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. O nome da operação faz referência à falta de controles internos nas instituições envolvidas para evitar crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado. O cunhado dele, Fabiano Zettel, também era alvo de mandado de prisão e se entregou na Superintendência da PF.
Ainda no Brasil, o Banco Central autorizou que instituições financeiras direcionem para o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) os recursos recolhidos dos depósitos compulsórios — valores que os bancos são obrigados a manter no BC como garantia.
Na agenda econômica, o destaque foi o relatório de emprego ADP nos EUA. O documento apontou a criação de 63 mil vagas de trabalho no setor privado em fevereiro, acima da expectativa de 50 mil novos postos. O Livro Bege do Federal Reserve indicou que a atividade econômica dos EUA cresceu um pouco e que os preços aumentaram no país.
Apesar de a quarta-feira (4) ter sido marcada por um movimento de correção nos principais mercados acionários, cambiais e de commodities, os investidores seguem atentos aos desdobramentos da guerra no Irã em busca de sinais sobre a duração do conflito. As tensões permaneceram elevadas após os EUA assumirem o ataque ao navio iraniano próximo ao Sri Lanka. O episódio ocorreu no momento em que Trump prometeu fornecer segurança e escolta naval aos navios que exportam petróleo e gás do Oriente Médio, em uma tentativa de conter a alta dos preços de energia após o Irã fechar o Estreito de Ormuz, na véspera.
Pelo menos 200 navios — incluindo petroleiros, navios-tanque de gás natural liquefeito e cargueiros — permaneciam ancorados em águas abertas ao largo da costa de grandes produtores do Golfo, como Iraque, Arábia Saudita e Catar, segundo estimativas da Reuters com base em dados de rastreamento da plataforma MarineTraffic.
Apesar das preocupações com o transporte de petróleo pela rota, os preços da commodity caíam nesta quarta-feira (4), em ajuste após as fortes altas dos últimos dias. Perto das 16h45, o Brent, referência internacional, oscilava 0,02% para cima, a US$ 81,40.
O movimento de ajuste também foi observado em Wall Street, onde os principais índices subiam nesta quarta-feira. Por volta das 17h, o Dow Jones avançava 0,64%, o S&P 500 ganhava 0,98% e o Nasdaq Composite subia 1,55%.
Na Europa, as bolsas mostraram recuperação e fecharam em alta, após terem tocado níveis mais baixos no dia anterior, ainda sob a influência das tensões no Oriente Médio. O índice Stoxx 600 avançou 1,37%; o DAX de Frankfurt subiu 1,79%; o FTSE 100 de Londres ganhou 0,80%; e o CAC 40 de Paris, 0,79%.
Na Ásia, as bolsas da China e de Hong Kong encerraram o pregão em baixa, pressionadas por empresas do setor de petróleo e de transporte marítimo. No fechamento, o SSEC de Xangai caiu 1%; o CSI300 recuou 1,1%; e o Hang Seng, de Hong Kong, perdeu 2%, atingindo o menor nível em seis meses.
Outros mercados asiáticos também recuaram: em Xangai, o SSEC fechou em -0,98%, a 4.082 pontos; em Tóquio, o Nikkei caiu 3,61%, a 54.245 pontos; em Seul, o KOSPI desvalorizou 12,06%, a 5.093 pontos; e, em Taiwan, o TAIEX cedeu 4,35%, para 32.828 pontos.
Notas de dólar. Foto: Luisa Gonzalez/Reuters.
Fonte: G1 Globo
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