Dólar amanhece sob pressão: tensões no Oriente Médio, sanções dos EUA e PEC das 40 horas no radar
O dólar iniciou a sessão desta quinta-feira (28) atento aos desdobramentos no cenário externo e às novidades da agenda econômica doméstica. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h. Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair.
No exterior, as tensões voltaram a aumentar após o Irã retaliar os Estados Unidos com um ataque a uma base aérea americana. Segundo a Guarda Revolucionária, a instalação atingida fica na periferia do aeroporto de Bandar Abbas e seria a mesma utilizada no ataque americano desta quarta-feira (27), quando militares dos EUA miraram o que Washington descreveu como uma operação iraniana de drones próxima ao Estreito de Ormuz.
Ainda no front internacional, o governo dos EUA anunciou sanções contra a recém-criada Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA), órgão que, segundo o Departamento do Tesouro americano, foi instituído por Teerã para coordenar o tráfego e cobrar taxas de embarcações comerciais no corredor marítimo.
Em meio ao aumento das tensões, o petróleo voltou a subir. Por volta das 8h30 (de Brasília), o Brent para julho avançava 2,8%, a US$ 96,93 por barril, enquanto o WTI, referência nos EUA, ganhava 3%, a US$ 91,34.
No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira uma PEC que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas em até 14 meses e permite o fim da escala 6x1. Apesar do avanço na Câmara, a proposta deve enfrentar resistência no Senado. A agenda doméstica também traz os dados do mercado de trabalho, com a divulgação do Caged e da taxa de desemprego, ambos referentes a abril. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
Na véspera, os preços do petróleo voltaram a cair após o governo do Irã afirmar que considera improvável uma retomada do conflito com os EUA, apesar dos ataques recentes realizados por Washington. Ao mesmo tempo, a porta-voz da Casa Branca, Olivia Wales, disse mais cedo que as negociações com o Irã "estão progredindo bem", acrescentando que o presidente Donald Trump "deixou suas linhas vermelhas claras". Trump, por sua vez, afirmou que o Irã está decidido a fechar um tratado com os EUA, mas reiterou que o acordo ainda não foi alcançado. Para o mercado, a redução do risco de uma escalada militar no Oriente Médio ajuda a aliviar parte das preocupações com o abastecimento global de energia.
A declaração do Irã ocorreu um dia após Teerã acusar os EUA de violarem o cessar-fogo em vigor desde abril. Mesmo assim, autoridades iranianas sinalizaram que a chance de uma nova guerra é baixa neste momento. Nas últimas semanas, EUA e Irã vêm alternando ameaças e negociações diplomáticas, em tratativas mediadas pelo Paquistão, enquanto os investidores seguem atentos a possíveis impactos sobre a produção e o transporte de petróleo na região. O conflito no Oriente Médio começou no fim de fevereiro, após ataques americanos e israelenses contra o Irã, ampliando as tensões e a volatilidade no mercado internacional de energia.
Nos Estados Unidos, os índices de Wall Street avançaram na sessão anterior: o Dow Jones subiu 0,36% e renovou recorde de fechamento; o S&P 500 ganhou 0,02%; e o Nasdaq, mais concentrado em tecnologia, avançou 0,07%.
Na Europa, a maioria das bolsas fechou em alta, com ganhos nos setores automotivo e químico compensando preocupações persistentes sobre o Oriente Médio. O índice pan-europeu STOXX 600 subiu 0,03%, aos 628,18 pontos. Entre os principais índices, o FTSE 100 (Reino Unido) avançou 0,13%, o CAC-40 (França) ganhou 0,43% e o Ibex 35 (Espanha) teve alta de 0,49%. O DAX (Alemanha) recuou 0,03%.
Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente no vermelho. Em Xangai, o SSEC caiu 1,25%, aos 4.093 pontos. O CSI300, que reúne as maiores empresas listadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen, recuou 0,80%, aos 4.908 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 1,06%, aos 25.328 pontos. No Japão, o Nikkei encerrou praticamente estável, aos 64.999 pontos.
Notas de dólar — Foto: Reuters
Fonte: G1 Globo
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