Voltar às notícias

Dólar encosta em R$ 5 em meio à tensão EUA-Irã e possível acordo; veja o que move os mercados

Dólar encosta em R$ 5 em meio à tensão EUA-Irã e possível acordo; veja o que move os mercados

O dólar abriu em leve alta nesta quarta-feira (15), com os investidores atentos aos desdobramentos da guerra entre Estados Unidos e Irã e à possibilidade de novas negociações por um acordo de paz. Por volta das 9h03, a moeda americana avançava 0,02%, a R$ 4,9944. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h.

Altos funcionários dos Emirados Árabes Unidos e do Irã realizaram uma teleconferência para discutir a redução de tensões, no primeiro contato de alto nível desde a deterioração das relações causada pela guerra. Nos EUA, o presidente Donald Trump afirmou que não pretende estender o cessar-fogo com o Irã, mas disse que a guerra está "perto do fim". Em entrevista à ABC News, declarou que o conflito "pode terminar de diversas formas, mas um acordo é preferível, porque assim o país pode se reconstruir".

Enquanto isso, o bloqueio militar dos EUA no Estreito de Ormuz continua. Registros de monitoramento indicam que vários navios deram meia-volta, embora, segundo agências iranianas, petroleiros do país tenham conseguido atravessar o estreito. Teerã ameaçou interromper o fluxo comercial no Mar Vermelho se o bloqueio americano a embarcações iranianas persistir.

No Brasil, novas pesquisas eleitorais para a Presidência apontam empate técnico entre Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno. O levantamento também indica alto endividamento: 72% dos brasileiros relatam ter dívidas.

Na agenda econômica, destaque para os dados de vendas no varejo no Brasil, divulgados pelo IBGE, e para o Livro Bege do Federal Reserve (Fed, banco central americano) nos Estados Unidos. O conteúdo também traz o guia: "É hora de comprar dólar? Entenda a melhor estratégia".

No front diplomático, representantes de Líbano e Israel se reúnem nesta terça-feira, em Washington, para discutir um possível cessar-fogo, com mediação do governo americano, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. As conversas fazem parte de tratativas mais amplas que envolvem também Irã e EUA, mas há impasses: Israel afirma que não negociará com o Hezbollah, enquanto o grupo libanês rejeita as conversas e diz que não respeitará eventual acordo. O governo libanês demonstra abertura ao diálogo. Os confrontos seguem intensos: ataques recentes de Israel no Líbano deixaram milhares de mortos, e foguetes do Hezbollah atingem território israelense. Áreas estratégicas continuam em disputa.

Segundo a agência Reuters, EUA e Irã podem retomar nos próximos dias as negociações para encerrar a guerra, possivelmente ainda nesta semana. A primeira rodada, realizada no fim de semana passado, terminou sem acordo.

Indicadores mostram que o setor de serviços no Brasil cresceu em fevereiro pelo segundo mês seguido e atingiu o maior nível da série histórica, sugerindo que a economia mantém alguma tração apesar de sinais de desaceleração. Na comparação com janeiro, a alta foi de 0,1%, abaixo do esperado pelo mercado; na comparação anual, avanço de 0,5%, também abaixo das projeções. O desempenho foi puxado por tecnologia da informação, transportes e serviços prestados às famílias, enquanto serviços profissionais e administrativos e turismo recuaram. Economistas avaliam que o ritmo pode arrefecer nos próximos meses, em razão da inflação, dos juros ainda elevados e do impacto do aumento dos combustíveis, influenciado pelas tensões no Oriente Médio.

Nos EUA, os preços no atacado subiram em março, mas menos que o previsto, com estabilidade nos custos de serviços ajudando a conter a alta. Ainda assim, a inflação segue pressionada pela energia. O conflito com o Irã elevou o preço do petróleo, acima de US$ 100 por barril e mais de 35% desde o início da guerra, o que tende a encarecer produtos e manter a pressão inflacionária. No mês, o índice de preços ao produtor avançou 0,5%; em 12 meses, acumulou alta de 4%.

Em Wall Street, a terça-feira foi positiva, com investidores reagindo à chance de novas negociações entre EUA e Irã. O Dow Jones subiu 0,66%, o S&P 500 avançou 1,17% e o Nasdaq ganhou 1,96%.

Na Europa, as bolsas fecharam em alta diante de sinais de retomada das negociações de paz no Oriente Médio. O principal índice regional avançou 1%, no maior nível em mais de um mês. Entre os destaques, o DAX, da Alemanha, subiu 1,27%, aos 24.044 pontos; o CAC 40, da França, ganhou 1,12%, aos 8.327 pontos; e o FTSE 100, de Londres, teve alta de 0,25%, aos 10.609 pontos.

Na Ásia, China e Hong Kong encerraram a terça em terreno positivo, apoiadas pelo otimismo com a possível retomada do diálogo entre Estados Unidos e Irã. O índice de Xangai subiu 0,95%, aos 4.026 pontos; o CSI300 avançou 1,19%, aos 4.701 pontos; e o Hang Seng ganhou 0,82%, aos 25.872 pontos. Outros mercados também acompanharam o movimento: o Nikkei, no Japão, avançou 2,43%, aos 57.877 pontos, e o Kospi, na Coreia do Sul, subiu 2,74%, aos 5.967 pontos.

Notas de dólar. Foto: Dado Ruvic/Reuters.

Fonte: G1 Globo

Fonte: G1 Globo

Link permanente desta notícia