Dólar encosta em R$ 5,15 na abertura; mercado monitora corrida eleitoral no Brasil e crise entre EUA e Irã
O dólar abriu em alta nesta segunda-feira (24), com avanço de 0,06% por volta das 9h, cotado a R$ 5,1468. As negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam às 10h.
O cenário eleitoral brasileiro segue no radar dos investidores após o primeiro debate presidencial, realizado na véspera, sem a participação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), líderes nas pesquisas. Na sexta-feira (21), o Datafolha divulgou intenções de voto por segmento, em cenários com e sem a candidatura de Pablo Marçal.
As relações entre Brasil e Estados Unidos também estão em destaque após uma conversa telefônica, na sexta-feira, entre Lula (PT) e o presidente americano, Donald Trump. O presidente brasileiro classificou como “infundadas” as tarifas dos EUA contra produtos brasileiros. Trump propôs uma nova rodada de reuniões entre as equipes técnicas, com detalhes previstos para serem definidos hoje.
No exterior, o conflito entre Estados Unidos e Irã permanece no centro das atenções. A expectativa é de que Washington anuncie nesta segunda-feira um novo pacote de sanções contra Teerã. O Irã, por sua vez, ameaçou países que aderirem à pressão econômica americana.
Na última sexta-feira (21), o Ibovespa subiu, puxado principalmente pela melhora do cenário externo e pela queda dos juros de longo prazo nos Estados Unidos, segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil. O movimento aumentou o apetite por risco e permitiu que a bolsa brasileira acompanhasse a recuperação dos mercados americanos. A redução dos juros futuros no Brasil também favoreceu a reação.
A recuperação ocorre após um período de forte queda. Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, lembra que o Ibovespa acumulou 11 pregões consecutivos de baixa, pressionado pela saída de investidores estrangeiros, por incertezas eleitorais e pela alta do petróleo. Para ela, a alta recente representa sobretudo um ajuste após a sequência de perdas, e não uma mudança definitiva de cenário. O movimento foi influenciado ainda pelo vencimento de opções e pela melhora do ambiente internacional.
Nos últimos dias, Donald Trump anunciou que intensificará a pressão econômica sobre o Irã, com novas sanções previstas para a próxima semana, e ameaçou punir países que ajudarem a sustentar a economia iraniana. Em publicação na rede Truth Social, escreveu: “QUALQUER país que permita que suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou órgãos governamentais forneçam qualquer tipo de apoio ao Irã também enfrentará CONSEQUÊNCIAS ECONÔMICAS ENORMES”. E acrescentou: “Contrabando de petróleo, linhas de swap, transferências de dinheiro, casas de câmbio, registros de navios, empresas de fachada — tudo isso precisa parar AGORA. Vocês sabem quem são.” Trump disse esperar que todos os aliados dos EUA trabalhem para “isolar” e “derrotar” a “ameaça iraniana”. Segundo ele, as medidas decorrem da ausência de um acordo com Teerã, após negociações iniciadas no começo do ano sobre o programa nuclear iraniano, cujo fracasso culminou em guerra.
Na quarta-feira, o porta-aviões USS George Washington chegou ao Oriente Médio para atuar no conflito, menos de uma semana após deixar sua base no Japão, onde costuma permanecer estacionado.
As declarações elevam as preocupações no mercado de petróleo, diante de sinais de que o tráfego pelo Estreito de Ormuz continuará interrompido. O fechamento da rota — que, antes da guerra, concentrava cerca de 20% do comércio global da commodity — segue pressionando os preços de energia, com reflexos sobre a inflação e o crescimento mundial.
Na Ásia, os mercados fecharam mistos na sexta-feira: o CSI 300, que reúne grandes companhias listadas em Xangai e Shenzen, avançou 0,6%, enquanto o índice de Xangai (SSEC) ficou praticamente estável. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 1,21%; o Nikkei, do Japão, recuou 0,30%; e o Kospi, da Coreia do Sul, ganhou 0,88%.
Com informações da Reuters.
Dólar — Foto: Reuters/Lee Jae-Won/Arquivo
Fonte: G1 Globo
Fonte: G1 Globo