Dólar fecha em alta após abrir em queda, com petróleo em baixa e encontro Lula-Trump no radar
O dólar começou a quinta-feira (7) em queda de 0,39%, cotado a R$ 4,9014, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h. Ao longo da manhã, a moeda chegou à faixa de R$ 4,90, perdeu fôlego, alternou sinais e encerrou o dia em alta.
A pressão de baixa sobre o dólar ocorreu em meio ao recuo do petróleo, diante da expectativa de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã que permitiria a retomada gradual da circulação de navios no Estreito de Ormuz. Por volta das 8h40 (horário de Brasília), o Brent caía 2,12%, a US$ 99,12, e o WTI recuava 2,26%, a US$ 93,01. O movimento ganhou força após declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, de que o Irã estaria disposto a negociar; segundo ele, o país está "indo muito bem" no conflito e "tudo está ocorrendo sem problemas". Ainda nesta quinta, às 12h, Trump recebe o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir temas de economia e segurança.
No Brasil, a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do partido, está entre os alvos da investigação.
Para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, a volatilidade do câmbio reflete a incerteza internacional, especialmente em torno da guerra no Irã: "O dólar opera sem direção muito definida após o alívio da sessão de ontem, de olho nos desdobramentos da guerra no Irã". Ela avalia que, apesar de um ambiente externo momentaneamente mais favorável ao risco, a atuação do Banco Central também influencia os ajustes intradiários nas cotações.
Pouco antes das 9h30, o Banco Central realizou leilão de 10 mil contratos de swap reverso, equivalente a US$ 500 milhões. Como o mercado futuro de câmbio serve de referência para o dólar à vista, a intervenção tende a se espalhar pela formação de preços. Desta vez, a autarquia não vendeu dólares no mercado à vista simultaneamente — estratégia que costuma atenuar o impacto —, o que deixou o efeito de alta mais evidente. Em determinados momentos, a autoridade monetária pode buscar evitar uma queda excessiva do câmbio.
Os investidores monitoram sinais de avanço nas negociações entre EUA e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio. Segundo a Reuters, os países estariam próximos de um acordo inicial, de cerca de uma página, cujos termos são analisados pelo Irã, que deve responder em até 48 horas. A proposta consolidaria uma trégua e abriria um prazo de aproximadamente 30 dias para negociações mais amplas. Nesse período, tanto as limitações impostas pelo Irã quanto o bloqueio naval dos EUA seriam gradualmente reduzidos, com possibilidade de retomada caso não haja progresso.
O cenário ganhou tração após Trump anunciar a suspensão de uma operação militar de escolta a navios, que não normalizou o fluxo e elevou tensões. Mais cedo, o Irã afirmou que o Estreito de Ormuz voltou a ser seguro para navegação. Responsável por cerca de 20% do petróleo mundial, a rota operava com restrições desde o início do conflito, acumulando cerca de 1.500 embarcações à espera de passagem. A perspectiva de normalização contribuiu para a queda das cotações do petróleo. Apesar do avanço diplomático, o acordo ainda não foi fechado e há incertezas, como divergências internas no Irã e o risco de retomada das hostilidades.
No exterior, Wall Street renovou máximas históricas na quarta-feira, impulsionada pelo entusiasmo com a inteligência artificial e pela expectativa de um acordo de paz entre EUA e Irã. O Dow Jones subiu 1,24%, a 49.910,59 pontos; o S&P 500 avançou 1,46%, a 7.365,03 pontos; e o Nasdaq ganhou 2,03%, a 25.838,94 pontos. Na Europa, o STOXX 600 fechou em alta de 2,2%, a 623,25 pontos. Entre as principais bolsas, o DAX (Frankfurt) avançou 2,12%, a 24.918,69 pontos; o FTSE 100 (Londres) subiu 2,15%, a 10.438,66 pontos; e o CAC 40 (Paris) ganhou 2,94%, a 8.299,42 pontos. Na Ásia, China, Japão e Coreia do Sul permaneceram fechados por feriados locais, reduzindo o volume de negócios na região.
Foto: Rick Wilking/Reuters
Fonte: G1
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