Dólar recua antes da decisão do BC; possível acordo sobre Ormuz entra no radar dos mercados
O dólar abriu em queda nesta quarta-feira (5), com investidores à espera de novos sinais sobre a trajetória dos juros no Brasil e monitorando o noticiário do Oriente Médio. Perto das 9h, a moeda recuava 0,36%, cotada a R$ 5,1129. As negociações do Ibovespa, principal índice da B3, começam às 10h.
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para após o fechamento dos mercados, é o destaque do dia. A expectativa predominante é de mais um corte na taxa Selic, do atual patamar de 14,25% ao ano para 14% ao ano, o quarto ajuste consecutivo. Se confirmado, será o menor nível desde março de 2025. O movimento ocorre mesmo com a retomada da guerra no Oriente Médio, que elevou o preço do petróleo e pode pressionar a inflação brasileira via combustíveis.
Na semana passada, o Federal Reserve (banco central dos EUA) manteve as taxas básicas americanas inalteradas na faixa de 3,50% a 3,75%, decisão que reforçou o foco dos investidores na política monetária brasileira. Para Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, a combinação de expectativas de inflação mais altas, mercado de trabalho aquecido e resiliência da atividade pede cautela do Banco Central. "A ausência de resolução do conflito no Oriente Médio e o ambiente externo muito incerto reforçam a necessidade de prudência na condução dos juros", afirmou.
No front geopolítico, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que um acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz, importante rota marítima, pode ser anunciado nos próximos dias. O Irã, porém, segue contestando o republicano. Segundo reportagem citada por Trump, um anúncio poderia ocorrer entre esta quarta (5) e quinta-feira (6). Fontes regionais disseram à Associated Press que as tratativas entre Irã e Omã preveem entrada de navios no Golfo Pérsico por rota controlada pelo Irã e saída por rota controlada por Omã, com cobrança de taxas de serviço para garantir segurança e proteção ambiental. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, afirmou que as conversas buscam estabelecer rotas seguras que respeitem direitos soberanos e considerações de segurança nacional de ambos os países.
O alívio parcial das tensões no Oriente Médio refletia-se nos mercados europeus pela manhã: às 8h45, o DAX (Alemanha) subia 0,09% e o CAC-40 (França) avançava 0,06%, enquanto o FTSE 100 (Reino Unido) caía 0,23%. Na Ásia, as ações chinesas tiveram o melhor desempenho da semana, puxadas por fabricantes de chips. O CSI 300 (Xangai e Shenzhen) ganhou 1,2% e o SSEC (Xangai) avançou 1,5%. O Hang Seng (Hong Kong) subiu 0,2%, o Nikkei (Japão) saltou 3,66% e o Kospi (Coreia do Sul) valorizou 3,76%.
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair.
Com informações da agência de notícias Reuters. Foto: Luisa Gonzalez/Reuters.
Fonte: G1
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