Dólar recua na abertura em meio a tensão EUA–Irã e dados de emprego; investidores repercutem encontro Lula–Trump
O dólar abriu a sessão desta sexta-feira (8) em queda de 0,27%, cotado a R$ 4,9147. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h. Em um movimento de maior cautela no fim da semana, os investidores dividem a atenção entre a escalada no Oriente Médio e indicadores decisivos da economia dos Estados Unidos. Na noite anterior, Estados Unidos e Irã trocaram mísseis, elevando a preocupação internacional. Mesmo assim, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que o cessar-fogo continua valendo, o que ajudou a acalmar os mercados. Ao longo do dia, os holofotes se voltam para os dados de emprego dos Estados Unidos. Pela manhã, o governo deve divulgar o número de vagas criadas em abril, com expectativa de cerca de 62 mil novos postos, e a taxa de desemprego, que pode subir para 4,3% em relação ao mês anterior. Entre os destaques da quinta-feira, o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Donald Trump durou cerca de três horas. Segundo Lula, o foco foi comércio, tarifas americanas sobre produtos brasileiros e minerais críticos. Não foram tratados temas como a equiparação de facções criminosas a terroristas e o PIX, alvo de investigação comercial nos EUA. Lula disse ter saído satisfeito e afirmou que foi acordada a criação de um grupo de trabalho para discutir a possibilidade de zerar tarifas impostas pelos EUA ao Brasil. “A única coisa que não abrimos mão é da nossa democracia e da nossa soberania. O resto é tudo discutível”, declarou, acrescentando que, se houver erro de qualquer lado, haverá concessões. Após o encontro, Trump classificou Lula como “muito dinâmico” e disse que a reunião foi “muito boa”, indicando que representantes dos dois países tratarão de pontos-chave e que novos encontros devem ocorrer nos próximos meses. No front geopolítico, investidores acompanham a possibilidade de um acordo entre EUA e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio. Segundo a Reuters, os países estariam próximos de firmar um acordo inicial, mais simples, com cerca de uma página. O Irã analisa os termos e deve responder nas próximas 48 horas. A proposta prevê consolidar a trégua e abrir um prazo de aproximadamente 30 dias para negociações mais amplas, com redução gradual das limitações impostas pelo Irã e do bloqueio naval dos EUA — medidas que podem ser retomadas se não houver avanço. O cenário ganhou força após Trump anunciar a suspensão de uma operação militar de escolta a navios, que não normalizou o fluxo e havia elevado as tensões. Mais cedo, o Irã afirmou que o Estreito de Ormuz voltou a ser seguro para navegação. A rota, responsável por cerca de 20% do petróleo mundial, vinha operando com restrições desde o início do conflito, com cerca de 1.500 embarcações aguardando passagem. O movimento contribuiu para a queda nos preços do petróleo. Apesar do avanço diplomático, o acordo ainda não foi fechado e enfrenta incertezas, como divergências internas no Irã e risco de retomada do conflito. As bolsas globais fecharam sem direção única na quinta-feira. Em Wall Street, o S&P 500 caiu 0,38%, o Dow Jones recuou 0,63% e a Nasdaq perdeu 0,13%. Na Europa, o STOXX 600 cedeu 1,1%; em Frankfurt, o DAX caiu 1,02%; em Paris, o CAC 40 recuou 1,17%; e, em Londres, o FTSE 100 teve baixa de 1,55%. Na Ásia, os mercados encerraram em alta: o CSI300 avançou 0,48%, aos 4.900 pontos; o SSEC, de Xangai, subiu 0,48%, aos 4.180 pontos; o Hang Seng ganhou 1,57%, aos 26.626 pontos; e o Nikkei saltou 5,58%, aos 62.833 pontos. Notas de dólar — Foto: Luisa Gonzalez/Reuters.
Fonte: G1 Globo
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