Dólar recua na abertura enquanto petróleo dispara e tensão no Oriente Médio reconfigura os mercados
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair.
O dólar iniciou a sessão desta quarta-feira (4) em queda de 0,24%, a R$ 5,2514. O Ibovespa abre às 10h.
Nos Estados Unidos, a manhã é marcada pela divulgação do relatório ADP de fevereiro, que mede a criação de vagas no setor privado, com expectativa de cerca de 50 mil novos postos. Também está prevista a publicação do Livro Bege do Federal Reserve, que reúne a avaliação do banco central sobre inflação, emprego e crescimento, servindo de referência para investidores.
No campo geopolítico, o ataque conjunto de Estados Unidos e Israel ao Irã elevou a tensão no Oriente Médio e aumentou o risco de novo choque inflacionário, com alta nos preços do petróleo. Não há clareza sobre a duração do conflito. O presidente Donald Trump afirmou ter determinado à Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA a oferta de seguro contra riscos políticos e garantias ao comércio marítimo no Golfo. Segundo ele, a Marinha pode escoltar petroleiros no Estreito de Ormuz, se necessário.
No Brasil, o Banco Central autorizou que instituições financeiras abatam dos recolhimentos compulsórios os valores antecipados ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para recomposição patrimonial.
Em São Paulo, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, voltou a ser preso pela Polícia Federal em investigação sobre um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras. O cunhado dele, Fabiano Zettel, também é alvo de mandado de prisão e ainda não foi localizado.
Os preços do petróleo seguem em forte alta nos mercados internacionais após o Irã declarar o fechamento do Estreito de Ormuz e ameaçar atacar qualquer navio que tente cruzar a rota. No meio da tarde, o Brent avançava mais de 5%, acima de US$ 82 o barril. A região é estratégica para o comércio global de energia, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo, o que intensificou temores de desabastecimento e impulsionou a commodity. Países da região interromperam preventivamente a produção de petróleo e gás, como Catar, Arábia Saudita e Israel, agravando as preocupações com a oferta global. O fornecimento de gás natural também foi afetado, reforçando a pressão sobre os preços de energia. Apesar da disparada do petróleo, as ações do setor mostram fôlego limitado: os papéis da Petrobras — que subiram mais de 4% na véspera — avançam pouco nesta terça-feira, entre as poucas altas da bolsa brasileira.
A economia brasileira cresceu 2,3% em 2025, segundo o IBGE, abaixo dos 3,4% de 2024 e no menor avanço em cinco anos, embora tenha sido o quinto ano seguido de expansão. No quarto trimestre, o PIB subiu 0,1%, indicando estagnação no fim do ano. Pela ótica da oferta, a agropecuária avançou 11,7% com safras recordes de milho e soja; os serviços cresceram 1,8%, mesmo com juros elevados; e a indústria teve alta de 1,4%, sustentada pelas indústrias extrativas (óleo e gás). Pela demanda, o consumo das famílias subiu 1,3%, desacelerando em razão dos juros altos e do endividamento. Os investimentos do governo cresceram 2,9%, apoiados pela importação de bens de capital e pela construção. Exportações avançaram 6,2% e importações, 4,5%.
Em Wall Street, os três principais índices fecharam em queda nesta terça-feira, em meio às preocupações com os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre a economia global. O S&P 500 caiu 0,94%, para 6.816,59 pontos; o Nasdaq recuou 1,00%, para 22.521,24 pontos; e o Dow Jones perdeu 0,82%, para 48.505,21 pontos.
Na Europa, o STOXX 600 cedeu 3,08%, aos 604,44 pontos, no menor nível em um mês, com queda generalizada das principais bolsas. O FTSE 100, de Londres, caiu 2,75%; o DAX, de Frankfurt, recuou 3,44%; e o CAC-40, de Paris, perdeu 3,46%.
Na Ásia, as bolsas também fecharam no vermelho nesta terça-feira. Na China, o índice de Xangai recuou 1,43%, aos 4.122 pontos, e o CSI300 caiu 1,54%, para 4.655 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 1,12%, a 25.768 pontos. No Japão, o Nikkei recuou 3,1%, a 56.279 pontos; na Coreia do Sul, o Kospi teve queda de 7,24%, a 5.791 pontos. Em Taiwan, o Taiex caiu 2,20%, para 34.323 pontos; na Austrália, o S&P/ASX 200 recuou 1,34%, a 9.077 pontos. A única exceção foi Cingapura: o Straits Times avançou 0,53%, a 4.916 pontos.
Crédito da imagem: Funcionário de banco conta notas de dólar em Jacarta, Indonésia, em 10 de abril de 2025.
Fonte: G1 Globo
Fonte: G1 Globo