Dólar recua, petróleo reage e BC corta Selic após revés nas tratativas EUA-Irã
O dólar abriu em queda de 0,25% nesta sexta-feira (19), cotado a R$ 5,1610. O Ibovespa, principal índice da B3, inicia as negociações às 10h. Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair.
Os preços do petróleo voltaram a subir após o cancelamento das negociações que ocorreriam na Suíça entre Estados Unidos e Irã, elevando a cautela dos investidores quanto ao acordo de paz firmado nesta semana entre os dois países. Permanecem pendentes discussões sobre o futuro do programa nuclear iraniano, a situação no Líbano e as regras para o uso do Estreito de Ormuz. O entendimento inicial prevê um prazo de 60 dias para que as partes negociem um acordo definitivo. O acordo de paz encerra quase quatro meses de conflito no Oriente Médio e, com o fim da guerra, economistas acompanham quando os mercados e a atividade econômica devem voltar à normalidade. O g1 listou os principais efeitos da guerra sobre a economia. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
Nos Estados Unidos, o feriado de Juneteenth, que marca o fim da escravidão no país, mantém os mercados financeiros fechados nesta sexta-feira e reduz a agenda de divulgações econômicas.
O Copom do Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano, em decisão unânime e em linha com o esperado. Na avaliação do colegiado, o ambiente externo permanece incerto, diante das indefinições sobre o acordo de paz no Oriente Médio e da maior volatilidade de ativos e commodities, o que exige cautela por parte de economias emergentes. No cenário doméstico, o BC apontou aceleração da atividade econômica e mercado de trabalho aquecido, fatores que já começam a se refletir nos preços. Segundo a autarquia, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram e se distanciaram ainda mais da meta, superando o limite superior na leitura mais recente.
Para analistas da XP Investimentos, a comunicação do BC indica que pode não haver mais espaço para cortes de juros neste ano. O cenário-base da casa antecipa um ajuste final em agosto de 0,25 ponto percentual, levando a Selic a 14,00% até, pelo menos, o primeiro trimestre de 2027; porém, uma pausa nos atuais 14,25% também é considerada provável diante da deterioração recente do quadro inflacionário.
Nos Estados Unidos, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) manteve as taxas de juros na faixa de 3,50% a 3,75%. Foi a primeira reunião sob a gestão de Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump para presidir o Federal Reserve. Um dos destaques foi a decisão de Warsh de não divulgar sua estimativa para os juros no chamado “gráfico de pontos” (dot plot), postura coerente com críticas anteriores ao instrumento. Segundo Vinicius Flores, analista e sócio da gestora americana Stratton Capital, o comunicado adotou tom mais cauteloso com a inflação do que favorável a uma eventual flexibilização, mantendo aberta a possibilidade de novas altas de juros. Na visão do especialista, essa leitura ajuda a explicar a reação dos mercados, com fortalecimento do dólar, pressão sobre os títulos públicos americanos e queda das bolsas.
Outro destaque é o acordo de paz entre EUA e Irã. Os dois países assinaram na quarta-feira (17) um memorando de entendimento com 14 pontos, incluindo garantias de que Teerã nunca terá armas nucleares, suspensão de sanções norte-americanas contra o Irã e compensação financeira ao governo iraniano, além de um período de 60 dias para negociar a questão nuclear. Com a assinatura, os dois lados se comprometem a buscar um acordo definitivo em até 60 dias, prorrogáveis mediante consentimento mútuo. O governo suíço anunciou que EUA, Irã, Paquistão e Catar se reuniriam nesta sexta (19), em Bürgenstock, para iniciar as negociações sobre a implementação do acordo; o encontro, inicialmente destinado à assinatura do memorando, chegou a ficar incerto após a antecipação da assinatura. O texto ainda não é o acordo final, que deverá ser ratificado por resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU. Enquanto se aguarda o entendimento definitivo, EUA e Irã concordam em manter o status quo: o Irã manterá seu programa nuclear, e os EUA não imporão novas sanções nem mobilizarão forças militares adicionais no Oriente Médio.
Nos EUA, os principais índices de Wall Street fecharam em alta, enquanto investidores avaliavam a decisão do Fed e o acordo para o fim do conflito no Oriente Médio: Dow Jones (+0,14%), S&P 500 (+1,06%) e Nasdaq Composite (+1,87%). Na Europa, os mercados acionários terminaram de forma mista: o índice pan-europeu Stoxx 600 recuou 0,3%; o alemão DAX avançou 0,37% e o francês CAC 40 subiu 0,44%, enquanto o britânico FTSE 100 caiu 1,04%. Na Ásia, os índices também fecharam mistos: o CSI300, que reúne as maiores companhias em Xangai e Shenzen, avançou 0,21%; o SSEC, de Xangai, perdeu 0,43%; e o Hang Seng teve queda de 1,59%. No Japão, o Nikkei subiu 1,65%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 2,25%.
Com informações da agência de notícias Reuters.
Legenda da imagem: Dólar atinge a segunda maior cotação da história: R$ 5,86 — Reprodução/TV Globo.
Fonte: G1 Globo
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