Dólar sobe e Ibovespa recua em sessão encurtada; dados dos EUA e ata do Fed movimentam os mercados
Em um pregão encurtado pela Quarta-feira de Cinzas, com abertura apenas à tarde, o dólar operava em alta de 0,24% por volta de 15h25 desta quarta-feira (18), cotado a R$ 5,2411. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuava 0,43% no mesmo horário, aos 185.672 pontos, em meio ao foco dos investidores em indicadores dos Estados Unidos, na ata do Federal Reserve (Fed) e em eventos locais.
No exterior, os números divulgados pela manhã mostraram um quadro misto da economia americana. As construções de moradias iniciadas nos EUA cresceram 6,2% em dezembro na comparação com o número revisado de novembro, alcançando taxa anualizada de 1,404 milhão de unidades, segundo o Departamento do Comércio. As permissões para novas obras avançaram 4,3%, para 1,448 milhão no mesmo critério. Em novembro, as construções foram de 1,322 milhão e as permissões, de 1,388 milhão.
As encomendas de bens duráveis nos EUA caíram 1,4% em dezembro ante novembro, somando US$ 319,6 bilhões, contrariando a expectativa de alta de 1,6% de analistas. Excluindo o setor de transportes, os pedidos cresceram 0,9% no mês; sem a categoria de defesa, houve queda de 2,5%. O dado de novembro foi revisado de alta de 5,6% para 5,4%.
Segundo o Federal Reserve, a produção manufatureira dos EUA subiu 0,6% em janeiro, após ter ficado estável em dezembro, superando a projeção de 0,4%. Na comparação com janeiro do ano anterior, a alta foi de 2,4%. A manufatura representa cerca de 10,1% da economia americana e tem sido afetada por tarifas impostas durante o governo de Donald Trump, que, de acordo com empresários, elevaram custos para indústrias e consumidores. Por outro lado, segmentos como tecnologia vêm se beneficiando do aumento dos investimentos em inteligência artificial, e analistas avaliam que esse impulso pode se espalhar para outras áreas, além de potenciais efeitos de cortes de impostos.
O crescimento em janeiro foi disseminado: a produção de bens duráveis avançou 0,8%, com destaque para máquinas, computadores e eletrônicos, produtos minerais não metálicos e veículos e autopeças, que voltaram a crescer após meses de queda. Entre os não duráveis, houve alta de 0,4%, puxada por papel, impressão, químicos, plásticos e borracha. A produção de mineração recuou 0,2%, enquanto a de serviços públicos subiu 2,1%, ainda influenciada pelo clima frio. No total, a produção industrial aumentou 0,7% em janeiro, após alta de 0,2% em dezembro, acumulando crescimento de 2,3% em 12 meses.
Ainda nos EUA, a ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), prevista para as 16h, pode afetar as apostas sobre o ritmo de cortes ou a manutenção dos juros americanos nos próximos meses.
No Brasil, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A. e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., integrantes do mesmo conglomerado financeiro. As instituições faziam parte do grupo do Banco Master e foram vendidas, no segundo semestre do ano passado, ao empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Segundo o BC, a medida foi adotada após o agravamento da situação econômico-financeira do Banco Pleno, que passou a enfrentar dificuldades para cumprir obrigações do dia a dia. O órgão também citou descumprimento de normas e de determinações da autoridade reguladora. O episódio reacende debates sobre a necessidade de regras mais rígidas para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), embora o mercado não tenha recebido a decisão como surpresa.
Na agenda doméstica, o Boletim Focus do Banco Central mostrou a sexta redução consecutiva nas estimativas de inflação para 2024, de 3,97% para 3,95%. Já os dados do fluxo cambial semanal, utilizados para avaliar a entrada e saída de dólares e seus reflexos sobre o real, estavam previstos para divulgação às 14h30.
Fonte: G1 Globo
Fonte: G1 Globo