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Dona de Tok&Stok e Mobly pede recuperação judicial para reestruturar R$ 1,1 bilhão e cita risco de dano irreparável

Dona de Tok&Stok e Mobly pede recuperação judicial para reestruturar R$ 1,1 bilhão e cita risco de dano irreparável

O Grupo Toky, controlador das marcas Tok&Stok e Mobly, protocolou nesta terça-feira (12) pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo, em processo que tramita sob segredo de justiça. A companhia declarou dívida total de cerca de R$ 1,1 bilhão.

Segundo a empresa, o pedido busca preservar as operações, manter os serviços e criar condições para renegociar obrigações financeiras. No documento, o grupo solicita medidas urgentes para evitar o colapso das atividades e menciona risco de dano irreparável, além de pedir a manutenção de contratos e serviços essenciais, como logística, transporte, sistemas digitais, computação em nuvem, energia elétrica e abastecimento de água.

A companhia atribui o agravamento da crise a fatores que afetam o setor de móveis e decoração, como juros elevados, maior endividamento das famílias e crédito mais restrito, o que reduziu as vendas e pressionou o caixa. O Grupo Toky informou que vinha negociando a reestruturação das dívidas da Tok&Stok com credores, mas o endividamento continuou crescendo.

Na segunda-feira (11), antes do anúncio do pedido de recuperação judicial, o grupo comunicou que quatro fundos da gestora SPX Capital estão em fase avançada de negociações para vender toda a participação que detêm na empresa, incluindo ações e bônus de subscrição. Em meio a essas tratativas, dois integrantes do conselho de administração, Fernando Porfirio Borges e Felipe Fonseca Pereira, renunciaram aos cargos.

Na petição, a empresa afirma enfrentar dificuldades desde a pandemia de Covid-19, período em que fechou mais de 17 lojas. A crise teria sido agravada por juros altos, inflação persistente, crédito mais restrito e queda na compra de bens duráveis, como móveis. Em 2023, a Tok&Stok tentou reequilibrar as finanças com a renegociação de aproximadamente R$ 339 milhões em dívidas bancárias, um acordo de reestruturação tecnológica com a Domus Aurea e um aporte de R$ 100 milhões feito pelos acionistas. Apesar das medidas, a recuperação não avançou como esperado. Desde então, o grupo passou a avaliar alternativas de reestruturação, incluindo recuperação extrajudicial e, agora, judicial.

O processo lista como credores e parceiros instituições financeiras, empresas de tecnologia e de logística, além de concessionárias de serviços essenciais.

Criado em 2024 a partir da união entre Mobly e Tok&Stok, o Grupo Toky se tornou um dos maiores conglomerados de varejo de casa e decoração da América Latina, combinando operações físicas e digitais. A Mobly, fundada em 2011 por Victor Pereira Noda, Marcelo Rodrigues Marques e Mário Carlos Fernandes Filho, nasceu com foco em vendas online, recebeu investimentos da Rocket Internet e expandiu para lojas físicas, somando 11 unidades entre megastores, outlets e lojas compactas. Já a Tok&Stok, criada em 1978 pelos franceses Régis e Ghislaine Dubrule, consolidou-se ao apostar em móveis modernos, modulares e acessíveis, acompanhando o crescimento da classe média urbana e do mercado de apartamentos no país. O grupo também reúne a marca Guldi, voltada ao segmento de colchões e produtos de conforto.

Fonte: G1

Fonte: G1

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