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Ibovespa emenda 11 quedas e ameaça repetir pior sequência desde 2023; entenda os gatilhos

Ibovespa emenda 11 quedas e ameaça repetir pior sequência desde 2023; entenda os gatilhos

Após meses de recordes, a bolsa brasileira inverteu a direção. Nesta terça-feira (18), o Ibovespa, principal índice da B3, caiu pelo 11º pregão consecutivo, na maior sequência de perdas desde 2023. Se o movimento persistir, o índice pode igualar ou superar a marca de 13 quedas seguidas registrada em agosto de 2023.

Mesmo com a série negativa, o acumulado de 2026 segue positivo: o Ibovespa sobe 3,79% no ano. Em agosto, porém, o índice recua 6,55%, praticamente apagando boa parte dos ganhos e colocando a bolsa como a segunda pior performance entre 21 mercados acompanhados pela consultoria Elos Ayta.

O principal gatilho é a saída de capital estrangeiro. Até 13 de agosto, investidores internacionais retiraram R$ 15,63 bilhões da B3, a maior fuga mensal desde 2022. O recorde anterior havia ocorrido em maio, com saldo negativo de R$ 13,28 bilhões. Assim, 2026 já concentra as duas maiores saídas mensais da série histórica. O quadro contrasta com o início do ano, quando, entre janeiro e fevereiro, ingressaram R$ 42,56 bilhões, fluxo que ajudou o Ibovespa a renovar máximas e superar, pela primeira vez, os 190 mil pontos.

Segundo Matheus Spiess, analista da Empiricus, o humor mudou quando o mercado passou a enxergar cortes menos intensos da Selic. Com a inflação cedendo mais devagar, o agravamento dos conflitos no Oriente Médio e incertezas sobre as contas públicas, cresceu a percepção de juros altos por mais tempo. Para Beny Fard, sócio da Segundo Minuto e analista geopolítico e econômico, o país precifica um prêmio de risco eleitoral, somando dúvidas sobre a continuidade do ciclo de cortes, competição global por capital com o setor de IA nos EUA e fatores externos, como o conflito no Oriente Médio.

A eleição presidencial de outubro entrou no radar, uma vez que o quadro fiscal e os planos dos candidatos para 2027 influenciam as decisões do Banco Central sobre a taxa básica. Pesquisas eleitorais são acompanhadas para antecipar os rumos da política econômica. Propostas que indiquem compromisso com o equilíbrio das contas públicas tendem a reduzir o risco percebido e a favorecer a volta do capital estrangeiro.

No front externo, a escalada das tensões no Oriente Médio estimulou a busca por proteção em dólar, ouro e títulos do Tesouro dos EUA, com o metal precioso em alta nos mercados internacionais. O tarifaço imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, ao Brasil, somado ao acirramento das tensões diplomáticas, também ampliou a cautela dos investidores.

Os efeitos não são homogêneos entre setores. Companhias ligadas ao consumo interno costumam sofrer mais com juros altos, desaceleração e aumento da inadimplência, enquanto exportadoras, com receitas em dólar e menor exposição à atividade doméstica, tendem a ser mais resilientes. De acordo com Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, varejo e empresas de itens não essenciais — como roupas, eletrodomésticos, móveis e veículos —, além das dependentes de crédito, figuram entre as mais pressionadas. As ações dos grandes bancos estiveram entre as principais responsáveis pelas perdas recentes do Ibovespa, ao passo que a Petrobras limitou parte do tombo, apoiada nos preços do petróleo e na repercussão da descoberta na Foz do Amazonas. Nesse contexto, companhias de commodities, como petróleo, minério de ferro e aço, oferecem maior proteção relativa.

Apesar da série de quedas, analistas avaliam que boa parte dos riscos já foi incorporada aos preços, mas alertam que o mercado seguirá sensível a indicadores econômicos e aos desdobramentos político e geopolítico. Spiess aponta três fatores como decisivos para o rumo do Ibovespa nos próximos meses — elementos que serão cruciais para definir se o Banco Central terá espaço para seguir reduzindo a Selic. Para Sidney Lima, o ambiente continua vulnerável caso o cenário macroeconômico piore.

A correção também barateou diversas ações. Para Felipe Cima, especialista em renda variável da Manchester Investimentos, podem surgir oportunidades se houver melhora do quadro macroeconômico. Caso se abra espaço para novos cortes na Selic, a atratividade da bolsa tende a crescer, favorecendo uma recuperação gradual.

Na visão de parte do mercado, a bolsa pode estar mais próxima do fim do que do início do movimento de ajuste. Ainda assim, uma retomada consistente dependerá da combinação de vários fatores, e a expectativa é de que a volatilidade permaneça elevada no curto prazo.

Fonte: G1

Fonte: G1

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