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Petrobras e Pemex firmam parceria; por que especialistas temem que vire 'letra morta'?

Petrobras e Pemex firmam parceria; por que especialistas temem que vire 'letra morta'?

Petrobras e Pemex assinaram um memorando de entendimento, válido por dois anos, para cooperar na exploração e produção de hidrocarbonetos. Um segundo acordo, em negociação paralela, mira o refino e a comercialização de biocombustiveis como o etanol. O anúncio veio acompanhado de um gesto politico: uma videochamada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente do México, Claudia Sheinbaum, na qual ambos endossaram a cooperação. Especialistas ouvidos pela DW reconhecem o potencial técnico da aliança, mas alertam que fatores politicos e regulatórios podem pesar mais do que a engenharia. No papel, há complementaridade: a Petrobras domina a exploração em águas profundas e a perfuração em ambientes com grandes camadas de sal, enquanto a Pemex enfrenta deficiências tecnologicas, apesar do conhecimento do Golfo do México. Ainda assim, o CEO da GMEC, Gonzalo Monroy, chama atenção para o caráter não vinculativo do memorando: nenhuma das empresas é obrigada a investir, e, sem capital, a indústria do petróleo não avança. Para o consultor Elio Ohep, a parceria pode ser positiva, mas apenas no longo prazo, em um horizonte de cinco a 15 anos. Ele pondera que o acordo foi apresentado com entusiasmo, embora ainda seja apenas um entendimento preliminar com validade de dois anos. O ambiente regulatório mexicano é outro entrave. Depois da contrarreforma do petróleo no governo de Andrés Manuel López Obrador, as modalidades hoje previstas em lei, como contratos de prestação de serviços ou joint ventures, não ofereceriam à Petrobras a rentabilidade necessária para investir no país, afirma Monroy. O acordo sobre biocombustiveis também foi relativizado por especialistas. Pires, fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), observa que o etanol no Brasil é produzido pelo setor privado e misturado à gasolina por distribuidores, não pela Petrobras. Monroy acrescenta que o México sofre pressão externa para ampliar a compra e a mistura de etanol na matriz de combustiveis, tanto dos Estados Unidos, produtores de etanol de milho, quanto do Brasil, que utiliza cana-de-acucar. O pano de fundo politico pesa sobre os dois lados. No México, Sheinbaum encara a renegociação do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA) e a pressão de Washington sobre o mercado de energia. No Brasil, a recente descoberta de petróleo na foz do Amazonas foi anunciada com a presença de Lula e, segundo Pires, coincidiu com o calendário eleitoral. Ele estima que serão necessários pelo menos quatro anos de estudos para avaliar se o potencial da área é comercialmente viavel. A Petrobras pretende perfurar mais três poços no Amapá, mas enfrenta oposição do Ministério Público Federal (MPF). A continuidade da cooperação também depende do rumo politico, avaliam os analistas. Ohep sustenta que o acordo só deve avançar se Lula for reeleito. Pires concorda que, por se tratarem de estatais, mudanças de governo podem redesenhar prioridades. A cautela se apoia em precedentes: Ohep lembra que a maioria dos memorandos de entendimento termina como 'letra morta'. Pires cita a parceria entre Petrobras e PDVSA, da Venezuela, nos governos Lula e Hugo Chávez, que resultou na refinaria de Recife, apontada como a mais cara do mundo e vinculada à Operação Lava Jato, sem aporte venezuelano nem beneficio comprovado para a estatal brasileira. Por ora, os entendimentos entre Petrobras e Pemex abrem um canal de cooperação, mas sua concretização dependerá de condições legais, financeiras e politicas ainda incertas.

Fonte: G1

Fonte: G1

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