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Quem é Luana Lopes Lara, brasileira de 30 anos que virou a bilionária mais jovem do mundo sem herança após rodada de US$ 1 bi na Kalshi

Quem é Luana Lopes Lara, brasileira de 30 anos que virou a bilionária mais jovem do mundo sem herança após rodada de US$ 1 bi na Kalshi

A brasileira Luana Lopes Lara, de 30 anos, cofundadora e diretora de operações da plataforma de previsões Kalshi, foi apontada pela Forbes como a mulher mais jovem do Brasil a construir a própria fortuna e se tornar bilionária, segundo ranking divulgado nesta sexta-feira (28). Ela detém cerca de 12% da empresa e tem patrimônio estimado em US$ 2,6 bilhões (R$ 13,4 bilhões).

A Kalshi funciona como uma espécie de bolsa de apostas sobre eventos futuros: usuários compram e vendem contratos baseados em perguntas do tipo “vai acontecer ou não?”, relacionadas a temas como guerras, mudanças climáticas e eleições. Luana passou a liderar o grupo de mulheres bilionárias que construíram a própria riqueza após a Kalshi captar US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) em uma rodada de investimentos no fim de 2025, liderada pela Paradigm e com participação de Sequoia Capital, Andreessen Horowitz e Y Combinator.

De acordo com a Forbes, o valor de mercado da Kalshi cresceu mais de cinco vezes no ano passado, de US$ 2 bilhões (R$ 10,2 bilhões) em junho para US$ 11 bilhões (R$ 55,9 bilhões) em dezembro. Com a valorização, a fortuna dos cofundadores também aumentou; o sócio Tarek Mansour passou a integrar a lista de bilionários.

Formada em ciência da computação pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Lara nasceu no Brasil na segunda metade dos anos 1990. Ainda estudante, conquistou medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia e bronze na Olimpíada Catarinense de Matemática. Estudou na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil e trabalhou como bailarina profissional na Áustria por nove meses após o ensino médio, antes de se mudar para os Estados Unidos para cursar a faculdade.

No MIT, conheceu Tarek Mansour. Ainda na universidade, os dois passaram pelo mercado financeiro: ele trabalhou no Goldman Sachs, e ela, na gestora Bridgewater. A dupla identificou que muitas decisões financeiras se baseavam em previsões sobre eventos futuros, mas não havia uma forma direta de negociar com base nesses resultados. Em 2018, fundaram a Kalshi para permitir a negociação de contratos atrelados a acontecimentos específicos.

Em 2020, a Kalshi recebeu autorização regulatória e tornou-se a primeira bolsa totalmente regulamentada dos EUA para contratos ligados a eventos, reconhecida como Mercado de Contratos Designado (DCM) pela Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), mesma categoria regulatória de bolsas como a Chicago Mercantile Exchange (CME) e a Intercontinental Exchange (ICE).

Em 2024, a empresa solicitou à CFTC permissão para oferecer contratos sobre resultados eleitorais. O pedido foi inicialmente negado sob o argumento de risco de manipulação e prejuízo à integridade das eleições. A Kalshi recorreu e obteve decisão favorável em um tribunal federal, tornando-se a primeira plataforma totalmente regulamentada a oferecer legalmente negociações ligadas a eleições nos EUA.

Em entrevista à CNBC, Tarek Mansour afirmou que a Kalshi avalia realizar uma oferta pública inicial (IPO) no fim de 2027 ou início de 2028. Em julho, a plataforma passou a oferecer contratos sobre ensaios clínicos e decisões regulatórias da FDA, a agência de alimentos e medicamentos dos EUA.

Durante a Copa do Mundo, a Kalshi registrou US$ 27 bilhões (R$ 137,1 bilhões) em volume de negociações e alcançou três milhões de usuários no torneio, segundo a Reuters. A expansão global dos mercados de previsão impulsionou o debate sobre se essas plataformas devem ser tratadas como mercados financeiros ou como empresas de apostas e jogos de azar — discussão da qual a Kalshi é um dos principais focos.

Nos EUA, ao menos quatro estados tentaram impedir a atuação da companhia, alegando operação de jogo de azar ilegal. O caso mais recente envolve o procurador-geral de Nova York, que processou a plataforma no fim de julho por suposta violação das leis estaduais contra jogos de azar. A Espanha também bloqueou o site da Kalshi, sob a alegação de falta de licença para jogos de azar.

No Brasil, o governo bloqueou, em abril, a Kalshi e outras 26 plataformas que oferecem previsões relacionadas a eventos esportivos, jogos online e temas políticos, eleitorais, sociais, culturais ou de entretenimento. Segundo integrantes do governo, a medida busca evitar a consolidação de um novo mercado de apostas sem supervisão, por expor os brasileiros a riscos financeiros e por operar em desacordo com a legislação do país.

Fonte: G1 Globo

Fonte: G1 Globo

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