Superquarta, Ormuz sob tensão e petróleo nas alturas: o que pode virar o jogo do dólar hoje
O dólar abriu a quarta-feira (18) sob influência simultânea da Superquarta — dia de decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos — e do agravamento do conflito no Oriente Médio, que mantém o petróleo acima de US$ 100 e eleva o risco de inflação global. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, inicia as negociações às 10h.
No Brasil, a expectativa majoritária do mercado é de corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14,75% ao ano. Se confirmada, será a primeira redução da taxa básica desde maio de 2024, após quase dois anos. Nos Estados Unidos, a projeção é de manutenção dos juros pelo Federal Reserve (Fed). Sem sinais de trégua após três semanas de conflito, economistas avaliam que os impactos, locais e globais, dependerão da duração da guerra.
O Estreito de Ormuz segue no centro das tensões. Os Estados Unidos informaram ter usado bombas de penetração profunda contra sistemas antiembarcação do Irã ao longo da principal rota marítima do petróleo, com o objetivo de reabrir o estreito, que Teerã mantém fechado desde o início da guerra. Nesse cenário, o petróleo permanece pressionado, com cotações acima de US$ 100.
No campo diplomático, a França se alinhou a outros países da OTAN e rejeitou o pedido dos EUA para ajudar a liberar o Estreito de Ormuz. A decisão contrariou declaração prévia de Donald Trump de que Paris apoiaria a iniciativa. O presidente americano classificou a recusa dos aliados como “erro muito tolo”.
No Brasil, os efeitos já chegam ao consumidor. O reajuste recente do diesel pela Petrobras, somado à alta do petróleo, aumentou a pressão sobre custos de transporte e levou caminhoneiros a ameaçarem nova paralisação. O Ministério da Justiça afirmou que a Polícia Federal vai investigar possíveis preços abusivos de combustíveis, e os Procons intensificaram a fiscalização.
Após breve trégua, os preços do petróleo voltaram a subir na terça-feira. O apelo de Trump pela reabertura do tráfego em Ormuz e a liberação de reservas estratégicas por outros países reduziram a pressão apenas temporariamente. Ao menos três países europeus recusaram, na segunda-feira (16), o pedido dos EUA para enviar navios militares ao estreito. A Alemanha rejeitou qualquer participação da OTAN na crise. Na terça, o assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, disse à CNBC que petroleiros estão começando a passar aos poucos por Ormuz e reiterou a avaliação do governo Trump de que a guerra com o Irã deve durar semanas, não meses.
Ataques recentes à infraestrutura energética em meio ao conflito vêm comprometendo o escoamento global de petróleo. Segundo a Reuters, o carregamento no porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, foi parcialmente interrompido após um terceiro ataque em quatro dias provocar incêndio no terminal de exportação, enquanto o campo de gás Shah segue com operações suspensas. Com isso, a produção do terceiro maior produtor da Opep caiu mais da metade, intensificando a pressão sobre os preços de energia e agravando a crise no mercado internacional.
No front militar, Israel afirmou ter matado Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança do Irã e figura de destaque do regime, em um bombardeio de precisão em Teerã na noite de segunda-feira. A informação não foi confirmada pelo governo iraniano. Aliado próximo da liderança do país, Larijani vinha ganhando influência em meio à guerra contra EUA e Israel, que seguem realizando ataques frequentes ao território iraniano.
No Brasil, o IGP-10 da Fundação Getulio Vargas (FGV) caiu 0,24% em março, acumulando recuo de 2,53% em 12 meses. O movimento foi puxado, sobretudo, pela queda nos preços de produtos básicos no atacado, como alimentos e matérias-primas. Para o consumidor, os preços ficaram praticamente estáveis, enquanto os custos da construção ainda subiram, mas de forma mais moderada.
Na política, pesquisa Genial/Quaest divulgada na terça-feira aponta que 56% dos brasileiros já definiram o voto para presidente, enquanto 43% ainda podem mudar de candidato. A decisão é mais consolidada entre eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), com mais de 60% afirmando escolha definitiva. Entre apoiadores de Ratinho Júnior e Romeu Zema, predomina a possibilidade de mudança. Homens e eleitores mais velhos tendem a ter decisão mais firme, enquanto mulheres, jovens e eleitores do Sudeste aparecem mais indecisos.
Nos mercados internacionais, Wall Street fechou em alta, monitorando o impasse em Ormuz e à espera da decisão do Fed: Dow Jones subiu 0,10%, S&P 500 avançou 0,25% e Nasdaq ganhou 0,47%. Na Ásia, os pregões encerraram mistos, com Xangai em queda de 0,9%, CSI300 em baixa de 0,7%, Hang Seng em alta de 0,1% e Nikkei em recuo de 0,1%.
Com informações da Reuters.
Fonte: G1 Globo
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